Restaurantes Exóticos

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Desfrute em restaurantes brasileiros as receitas mais diferentes.

Depois de caminhar do Oiapoque ao Chuí, viajar por oito milhões de quilômetros quadrados de morros, montanhas, planícies, planaltos, e cerrados, navegar por oito gigantescas bacias hidrográficas, remar por rios extensos, despencar por cataratas e cachoeiras, e mergulhar em sete mil quilômetros de um litoral riquíssimo em beleza e natureza, o Brasil descansa sua cultura e história nas mesas dos restaurantes regionais. Os pratos tem a cara e a marca de um povo, a maioria deles a gente já conhece e até gosta, mas uma boa parte da culinária servida no Brasil ainda está em fase de descobrimento e, queiramos, jamais passará pelo processo de colonização. Carnes esquisitas, insetos, moluscos... O Lugares no Mundo selecionou uma lista de restaurantes brasileiros que servem iguarias de lugares escondidos do país, e alguns que importam a culinária exótica de outros cantos do mundo.

DE FORMIGA À JACARÉ  
 
A culinária brasileira é riquíssima e infinitas são as opções de restaurantes exóticos espalhados pelo país. Em cada canto do mapa, em cada esquina, em cada porto e a cada cidade pequena escondida atrás de um arranha-céu há um restaurante delicioso, pronto para servir as melhores opções regionais, nacionais e internacionais. A comida característica de uma região pode parecer exótica para outra dentro do mesmo país, ainda mais em uma área tão grande como a do Brasil. Uma criança em São Paulo pode crescer tomando suco de laranja e kiwi, sem nem imaginar que existe mingau de tapioca com açaí, e sem nunca ter visto a cor de um jenipapo. Nós selecionamos apenas alguns dos restaurantes que misturam a culinária nacional em pratos deliciosos, ou que trazem para o Brasil sabores exóticos de outros países.
 
 
Na hora do almoço não há dúvida! Um dos pratos favoritos dos moradores da Ilha de Marajó é o turu. Um molusco branquelo e comprido que vive passeando dentro de troncos de árvores apodrecidas pelas águas do mangue da ilha. Graças à sua cor branca e seu aspecto leitoso, de perto ele até lembra uma daquelas lombrigas bem simpáticas estudadas nas aulas de biologia. Na fazenda São Jerônimo manguezal é o que não falta, e o restaurante do hotel prepara pratos com o molusco que, na realidade, deveriam ser consumidos crus. Os “catadores” estão acostumados a saborear a iguaria apenas com limão e um pouco de sal. Na cozinha, Dona Jerônima faz uma sopa com eles, mas também há a opção de comê-los a milanesa. 
 
Os moluscos são tão compridos quanto um tentáculo de lula sem pele, eles têm a textura e consistência de uma ostra, e, aqueles que provam, garantem que o sabor é ainda mais doce.
 
Eles são riquíssimos em minerais, dentro de apenas um turu há cerca de 150 mg de cálcio e 55 mg de ferro! E aí? As crianças do Pará certamente são mais saudáveis comendo esse bichinho leitoso que uma porção de batatas fritas. 
 
 
Farofa era o prato preferido de Monteiro Lobato, mas, ao contrário do que a gente pensa, a farofa que o criador do Sítio do Picapau Amarelo chegou a considerar afrodisíaca não era a clássica, feita com linguiça. Monteiro Lobato adorava as tanajuras - ou içás, como são mais conhecidas. 
 
Na cidade de Silveiras esse é o prato principal: Içás. São formigas com asas que tem um leve gosto de amendoim e muita proteína. As crianças e os adultos adoram e a caça às formigas bundudinhas é tradição. Elas são tão queridas por lá que os caçadores chegam a arrecadar até R$70 por uma garrafa cheia delas. 
 
Além do valor nutritivo – elas são riquíssimas em proteína magra e livres de gordura – o hábito de comer as formigas é uma diversão; é comum ver crianças de seis anos enfiando a mão nos ninhos para garantir seu lanchinho. 
 
No restaurante do Ocílio as içás são servidas em vários pratos, o principal deles é a farofa de içá. Quem come garante que elas tem gosto de amendoim e menta, e cada prato custa cerca de R$20.
 
 
O prato principal servido no restaurante não é tão raro de se encontrar e, em São Paulo dezenas de restaurantes típicos nordestinos servem versões adaptadas desse clássico. Estamos falando da famosa buchada de bode! Um prato clássico do nordeste que só fica perfeito em sua versão caseira. Poucos restaurantes conseguem cozinhar a verdadeira buchada como uma dona de casa nordestina faz, e é aí que está o diferencial do Buchada de Gago, na Vila do Quartel em Pernambuco. Sua receita leva fígado, bofe e o coração do bode, picados e temperados com alho, cominho, coentro e pimenta, envolvidos no bucho do animal. 
 
Alias, o termo “buchada de bode” é uma invenção das regiões sul e sudeste do país, lá no nordeste o prato é simplesmente chamado de “buchada”. Eles consideram pleonasmo explicar que ele é feito com os miúdos do bode, já que na receita original não se usa qualquer outro animal. 
 
 
Aqui a culinária pode não ser exclusivamente nacional e nem agregar aspectos culturais do nosso país em seus pratos, mas não há como negar que o restaurante Tantra é bem exótico. Além de preparar pratos com carne de tubarão ou javali, a seleção dos ingredientes no restaurante é feita pelo próprio cliente. A preparação dos pratos é feita literalmente a gosto do freguês, que fica ao lado da chapa enquanto o chef cozinha. 
 
No Tantra são servidas iguarias típicas da culinária indiana. A decoração é absurdamente envolvente com bambus, folhas, tendas, árvores, muito fogo, palha, madeira, e uma trilha sonora que quase faz com que os clientes sintam o cheiro de narguilé e a essência dos temperos e aromas orientais. Bem menos rústico que os outros restaurantes citados acima, e com uma proposta bem diferente, o Tantra prepara pratos bastante elaborados com uma combinação que envolve javali, aves, peixes (tubarão, lula e camarão), legumes e os mais clássicos molhos e condimentos indianos.  Para degustar alguma dessas iguarias indianas, prepare-se para gastar cerca de R$80 no jantar.
 
PRIMERA PÁ E MR. LAN - RIO DE JANEIRO
 
Muita gente já sabe, mas vale lembrar: A culinária Chinesa vai muito além do yakissoba nosso de cada china in box e do rolinho primavera. Riquíssima em peixes e frutos do mar, a cultura de comer com pauzinhos já se espalhou pelo mundo, mas pouca gente resolve arriscar uma receita chinesa mais acentuada e exótica. 
 
Mas, sem neura! Se você está pronto para espetar os palitinhos em algo diferente, o restaurante Primeira Pá serve uns pratos bem ousados. Como entrada, uma salada de água-viva feita com medusa, e na hora do prato principal que tal um pato com legumes ou o clássico lombo de boi adocicado?
 
O Restaurante Mr Lam é uma opção com mais grife na hora de provar os típicos pratos chineses. Também no Rio de Janeiro, seu cardápio oferece pastéis cozidos no vapor e recheados com carne e castanha d’água, uma versão mais elaborada do guioza. E, para completar, uma deliciosa lula ao alho com molho de feijões pretos chineses, levemente picantes. 
 
 
Apesar de ficar bem no centro do bairro do Bixiga, o nome do restaurante já indica sua especialidade: nada de macarrão, bruschetta, cappellini e nem Ravioli, o bairro tipicamente italiano abriu alas para a exótica culinária do norte. O cardápio é composto por tudo que é típico da região amazônica, como o pato no tucupi, a maniçoba, a caranguejada, o pirarucu e o tambaqui, todos preparados na chapa. Para beber, os sucos mantém a linha da exclusividade: cajá e cupuaçu, além do tacacá – uma mistura feita com caldo de tucupi, goma de mandioca, folhas de jambu e camarão seco. 
 
Para quem é meio perdido pelo mapa e não é entendido nessa culinária, vale um glossário: Tucupi é um líquido amarelado extraído da raiz da mandioca. Maniçoba é uma feijoada de origem indígena, feita com folhas de mandioca, carne de porco e carne bovina. O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do Brasil e o Tambaqui é seu companheiro de rio, comumente encontrado na bacia amazônica. Para provar as delícias, o custo médio é R$60. 
 
 
Um ritual gastronômico. É assim que o restaurante se auto-intitula, e é com isso em mente que os clientes lotam suas mesas. O Camamo vira e mexe é visto em roteiros gastronômicos ao redor do Brasil.  Escondidas em um alameda de coqueiros iluminada por tochas e pontos de luz, as mesas do Camamo abrigam surpresas durante toda a noite. O chef Tadeu Lubambo gosta de chamar seu jantar de viagem sensorial. E é mesmo. O menu principal inclui ceviche de jacaré com fios de batata-doce ao molho de caju picante; camarão com figos de alho poró, mel de caju e arroz com gengibre; ostras gratinadas com gorgonzola, mejericão e cointreau, e muitas outras raridades gastronômicas. Os drinks mantém a linha do exótico: caipiroska de flor de cactos, batinga, marguerita de murici...Ufa! A carta de vinhos – essa é normal - é a melhor opção para o fim da noite. Para provar toda essa experiência sensorial, desembolse cerca de R$150 por pessoa.
 
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Crédito das imagens: Divulgação.

 

Créditos: Restaurantes Exóticos

Última atualização em 21/08/2013 as 03h57

Felipe Bomfim

esportes, praia, noite

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