Uma Noite na Liberdade

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Nostalgia oriental regada à saque

O relógio bateu 20 horas e já incomodava ainda estar alí, com tanto trabalho, tantas preocupações, tantas incertezas... A cabeça latejava, os olhos querendo fechar e eu querendo fugir... E fugi! Uma ligação de um amigo, José, fez toda a diferença. “Chega de trabalho, vamos tomar umas no bar”. Algumas horas passaram, o boteco ficou vazio, os copos vazios, e a fome incomodava. “Comida japonesa?”. “Claro!” A mercê dos roncos no estômago, a direção era uma só: Liberdade! . Fomos percorrendo as ruas escuras e silenciosas, analisando mínimos detalhes. Onze horas, terça feira, pontos comerciais de portas fechadas, alguns botecos abertos, ruas vazias, moradores de rua, outros perdidos, e alguns cansados. “Venha, ali é o lugar”.

Kabura! Uma pequena placa acima de uma pequena porta, um jogo de escadas, uma cortina vermelha com frases japonesas em branco. Ao entrar estávamos no Japão, pelo menos em um pedaço dele. Vestimentas de todos à rigor, tatamis e mesas, bancos, decoração, máscaras orientais protegidas com plástico (a poeira mostrava que desde sempre). Um balcão com opções entre cogumelos, peixes, carnes, ervas, verduras, tofus, espetinhos com várias iguarias... A cada prato finalizado ouvíamos o grito de todos do restaurante “HI”, a cultura pede que isso seja repetido sempre quando fica pronto algum pedido. Um lugar pequeno, para poucos, não aceita cartões, um cardápio digno de uma boa experiência oriental. Prepare-se com a carteira. Uma garrafa de saquê para esquentar a alma, e Shabu-Shabu, um prato típico, com sashimis e verduras em fatias bem finas que são colocadas levemente na água fervente em um recipiente que fica na mesa, uma panela tipicamente oriental. Os ingredientes são retirados da água e mergulhados em um molho especial feito de soja, gergelim e alguns temperos. Lembra um pouco fondues. Tudo inquestionavelmente satisfatório. O saquê acabara. E eu me divertia. “E agora?”. Agora vamos num karaokê que conheço, aqui perto!“. E eu me divertia...

Choperia Liberdade! Uma porta pequena meio espelhada, lembrando um puteiro qualquer, mas se tratava de um karaokê, e também sushi-bar, que serve carnes em bom estilo churrascaria, misturado a mesas de sinuca. Muito famoso na região. Uma decoração brega e estranha, todas as cores, todos os panos, todas as paredes vermelhas, que assim como o teto, eram adornadas de enfeites que eu não consegui distinguir, além dos espelhos e tvs que passavam o jogo do Corinthians! Algumas poucas pessoas nas mesas. E um grupo endoidecido de mulheres com coroas de princesas, bêbadas, cantando Ilariê da Xuxa. Calma, o lugar é ótimo, e essa mistura se tornara muito engraçada. Todos em volta bêbados, eu também. José aparece com um cardápio de músicas. “Toma, escolhe uma musica”. Fiquei mais de meia hora com o cardápio aberto, sem saber se eu preenchia a fichinha com a escolha da música, se via o jogo do corinthians, se prestava atenção nas princesinhas endoidecidas, ou se escutava as idéias mirabolantes de José. Mas eu estava adorando aquele lugar. “O que vc quer beber?”. Quero um Cuba Libre”. Rimos, não cantamos, perdi a final do jogo, mas sei que foi 1X0. A bebida acabou. “Quer outra Cuba?”. Não. E agora?". "Ah, agora sim podemos ir pra balada." E eu me divertia...

Enquanto escolhíamos a próxima parada, dávamos tchau à liberdade, com aquela nostalgia oriental,  misturada ao saque, e à Cuba Libre.

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Crédito das fotos: (1) Divulgação (2)David Dickey fotos (3)Max Nogueira


Créditos: Uma Noite na Liberdade

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

Lugares no

esportes, praia, noite

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