Tradição Lakota na Chapada Diamantina

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Por dentro da mais sagrada cerimônia Lakota

 CHAPADA DIAMANTINA

Estivéssemos entre os Navajo (ou Lakota) ou entre os Sioux, o cenário seria o plateau norte-americano ou as gélidas terras de Dakota. Aqui, na Chapada, ao invés de cedros e pinheiros e o clima árido norte-americano, muçambés, quinas de rego, juremas, umburanas e aroeiras estão por toda parte. Apenas a vastidão do céu azul é parecida.

A sauna é uma uma cerimônia de revitalização e cura milenar dos povos da América do Norte. As origens remontam à visitas dos povos escandinavos à América na era pré-colombiana. A sauna finlandesa chegou a ser citada por Heródoto em 425 A.C. e variações são encontradas na civilização grega, romana, árabe, irlandesa e turca. Nos EUA, as atividades religiosas como a sauna e as danças chegaram a ser proibidas. Promulgada em 1873 e com validade até meados de década de 1930, uma lei podia levar os praticantes à cadeia.

Este ritual de purificação é considerado o mais sagrado dentre uma série de outras práticas como a dança da chuva, cerimônias de preparação de caça e retiros. A cerimônia em si começa antes da entrada no lodge. Nos alimentamos bem com frutas, saladas e outros pratos leves. Após a refeição nos reunimos em círculo, observamo-nos uns aos outros, somos estimulados a falar do que está se passando conosco, de expectativas e de nossas motivações pessoais. De acordo com as tradições, não devemos adentrar a sauna com nenhum assunto pendente e nossa reunião funciona como uma espécie de oração coletiva.

Liderados por Andrew, um inglês de Somerset [os nomes foram trocados], os homens preparam a fogueira que vai aquecer as pedras, selecionadas cuidadosamente. Ao mesmo tempo, as mulheres, lideradas por Célia, sua esposa brasileira, preparam a cabana, cobrindo a estrutura com cobertores e mantas. Um altar é posicionado no meio do caminho entre a fogueira (elemento masculino) e o buraco central na cabana (elemento feminino), onde as pedras serão finalmente colocadas e regadas com água para gerar vapor. Uma linha é traçada no chão unindo a fogueira que aquece as pedras à entrada da cabana. Durante a próxima hora, podemos caminhar pelo sítio. Somos aconselhados a a preservar a concentração e nos mantermos em silêncio.

O sol ainda não se pôs quando começamos a fazer fila para a entrada na cabana. Somos 12 homens e mulheres e estamos nus. “Por todas minha relações” é a frase que dizemos ao abaixarmos nossas cabeças para passar pela fenda de entrada. Estamos agora sentados sobre esteiras de palha. White Horse e Célia, a Guardiã, repetem frases e evocam o Grande Espírito. É ao Holy Spirit, a partir de agora, que dirigimos nossas preces.

A sauna é dividida em quatro sessões. A cada uma, a Célia, que agora atende pelo nome de Guardiã, traz as pedras, agora incandescentes, até a entrada da cabana em um grande rastelo. Dali, White Horse as deposita no centro da cabana. A guardiã também lhe passa um balde com água e ervas da região. Ela é derramada aos poucos sobre pedras magmáticas e liberam um favor extremamente quente. O odor gostoso do mato confunde-se com o de nosso suor e com o odor das rochas de granito que se transformam em cinzas à medida que se resfriam.

Alguns não agüentam e desistem logo na primeira sessão, mas não é mais possível dizer a quanto tempo estamos ali. Na segunda sessão, os gemidos de alguns aumentam. Na tentativa de aliviar o calor, evoco minha força animal e corro pelos campos da chapada no corpo de uma ema. São 4 horas de cerimônia e, no final, ao emergirmos das profundezas da mãe terra, nos deitamos na areia fofa. A areia penetra em cada poro. Em seguida, seguimos em direção ao rio e nos refrescamos á luz da lua em uma piscina natural. A lua está cheia, brilhante como as cores dos diamantes da Chapada.

 
Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

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