Paris: A Inconstância das Sombras

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Paris Definitiva por Lugares no Mundo.

Paris, 2013, cidade da luz, cento e oito anos pós Einstein, que, no seminal 1905 concebeu a sintética equação: E=MC2. (Energia é massa, vezes a velocidade da luz ao quadrado). Porém, aqui, a constante universal, de 300.000 km/segundo, apelido da mais bela e poética cidade do mundo, é substituída. Vamos desacelerar, sair dos holofotes, andar através das rarefeitas e imprevisíveis sombras, às baixas rotações. Vamos muito além do mainstream. Nesta carta protesto, contra a pressa, contra as filas e as falanges turísticas, vamos revelar uma Paris diferente, escondida e incerta. Secreta e mal iluminada. Daqui surge nova equação. Nossa energia será nossa massa acelerada à inconstância ao quadrado. Paz e aproveitem.

LOUVRE & TORRE EIFFEL: TARDE #0

Nossas almas normalmente se deslocam entre o passo e o motor. Andando não se chega à tempo, nem se vai do Louvre a Torre Eiffel. De carro ou metrô, não se sentem os cheiros das frutas de feira e não se admira com a calma devida os amores de rua. Paris é a cidade ideal para bicicletas. Plana, segura, semi-organizada. Nossa primeira compra em Paris é o aluguel de uma bicicleta, através do sistema Velib. Aquele baseado em estações, pega-se em um lugar, devolve-se no outro. Sete euros a semana. Em todas as boas esquinas da cidade.

Por obrigação mesmo, afinal, você está em Paris, faça o tour (sem bicicletas? Metrô: Daypass 5 euros). Faça ida ou vinda do Arco do Triunfo, descendo Champs-Élyssés atrás de Louvre (a loja da Apple é ali, jamais compre uma pedra qual não possa carregar), a esquerda para Ile-de-France / Notre Dame voltando pela rua das lojas, Boulevard St-Germain: Torre Eiffel. Paradas para água, compras, café. Pronto acabou, tirou suas fotos e o melhor de tudo foi o passeio, não os monumentos. Depois disso: Liberté.

Embarcando no sistema Velib : Comprinhas na Louvre Apple Store de Paris

DRINKS EM PARIS: NOITE #1

Pedalando pela noite de Paris, "localização" ganha outro sentido, a torre está lá de um lado, o Louvre do outro.  É como estar em Ipanema a beira mar, você sempre sabe onde está e pra que lado é o seu hotel. Entretanto, você não tem a mínima idéia de onde "deveria estar".

Como toda cidade grande, Paris, hoje a maior da Europa, é cheia de armadilhas, pega-trouxas, instituições de nome sem renome, todas lotadas de turistas. Se for para cair nessa, vá na bagueteria ou Fridays da sua cidade que encontrará mais autenticidade.

P. Marcus, paulista, espalhado pelo mundo há mais de 15 anos, insider local:

Lugares no Mundo : Você está morando aonde agora?
 
P. Marcus: Faz 3 anos que me transferi para peugeot francesa, após ter vivido em locais como Austrália, Ásia e retornado ao próprio Brasil. Moro em Paris, a duas quadras do Arco do Triunfo. É uma das zonas mais descoladas da cidade, fácil acesso a todas as regiões, gente bonita na rua.
 
Lugares no Mundo: Como é morar em Paris?
 
P. Marcus: Paris ainda mantém o ritmo de capital e celeiro cultural, nos últimos anos apresenta alguma decadência também. O mix é bacana. Nas ruas se vêem franceses, mulçumanos, africanos, argelinos, muitos brasileiros estão por aqui também. A sensação é boa, o francês no dia a dia coorporativo é um pouco mais complicado e levam a sério hierarquias, bem competitivo. O que se vê também de plural na França hoje, se vê quase como um barril pronto a explodir. A cidade possui restaurantes muito bons, vou trabalhar de bicicleta, as brasseries estão sempre cheias.
 
Lugares no Mundo: Primeira noite, são 18:00, para aonde você vai?
 
P. Marcus: Para mim um bom começo é o Hotel Costes, um bar chique e formal, caro, 20 euros o spirit - clássico da cidade, para um happy hour - depois talvez Pizzeria Positano em St Germain de Prés, é pequena, numa rua estreita, charmosa, se tiver sorte de pegar uma mesa, melhor pizza da cidade. Programa ideal.
 
Hotel Costes & A atmosfera da Pizzeria Positano
Dentro do Hotel Costes, o bar é como um Baretto Fasano local, austero, com um "quê" aristocrático. No miolo um restaurante-jardim. A freqüência no horário são franceses de negócios, com o estilo e trejeitos da raça, de meia idade pra cima. Ótimo para um martini. Desta de vez pelo metrô, chegamos a St Germain e sua Pizzeria Positano. O local é o que pretende ser, vero napoletano, antepastos, vinho da casa, clima rústico e pizzas autênticas. Massa média, pouco recheio, individuais, sem fatias, baratas: Perfeitas. Atmosfera e experiência. Ironicamente, um dos points mais bacanas de Paris é um restaurante italiano. 
 
No templo-sede do nirvana in-the-house, nada de novo, Barcelona, New York...  A super franquia de lounges é igual no mundo inteiro. Se nunca foi a um Buddah Bar, vá ao de Paris, é o original. 
 
Próximo ao Buddah Bar, fica o Kong, este Rooftop, da família Philipp Starck, é um dos mais descolados de Paris. São dois andares com vista total da cidade, excelentes trilhas sonoras e culinária fusion.  Elegância a lá Luis XVI, pokemons, garçonetes pinups e o politicamente incorreto fazem a cena local. Obrigatório.
 
RESTAURANTES & COMPRAS EM PARIS : RESSACA  #-1000
 
A diferença entre o Croque Monsier, o Croque Madame e os 10 tipos de omelete, não sabemos. A certeza é: Todos os bistrot's de Paris são iguais. Servem tartar com fritas e os garçons devem estar com o salário atrasado faz tempo. Vá em qualquer um, como se vai ao McDonald's. Aliás, em plena França, ambos competem em número de "lojas" na cidade. Com ligeira vantagem ao chesseburger.
 
Crises geram inovação. Se por um lado, a França começa a perder o mercado de vinhos para Chile e Califórnia, por outro começa a exportar novos conceitos. O contra-filé com fritas ao molho especial por exemplo, aqui conhecido como Entrecote, já com representantes em São Paulo, Tokio e Kiev
 
A casa de todas as casas desta iguaria, entre mais de 30 concorrentes locais, é a La Relais de Venise. Sem cardápio, prato único, escolha o ponto do bife e repita a vontade na batata. Boa pedida para almoço. Nem tente reservar antes. 
 
Se você não estiver com problemas de tempo-espaço. Tempo pessoas mal educadas e espaço no limite do cartão, a tarde poderá ser reservada para as compras. Vá a Galeria Lafayette e arredores. Ali toda a oferta de produtos, marcas e diversões da moda podem ser adquiridas a preços europeus. Dentro da galeria, um super magazine de 200 andares, além de todas as maisons e maquiagens francesas, é possível encontrar opções das super brands internacionais, uma padaria fantástica , artigos para o lar e muito mais. 
 
Na região estão também Zara, H&M, camelôs com brinquedos chineses e falsificações para agradar sobrinhos pequenos e inimigos.
 
Se quiser ir além, Le Bon Marché. Ali do lado. Menos estressante. Ultra Posh.
 
De bicicleta, subimos a MontMartre. Distrito da luz vermelha. Ainda de dia, ande a pé pelas vielas e curta a energia suja entre os sex shops, cafés e casas de “putaria” à moda francesa. Se for homem, será abordado na rua por mulheres horríveis. Mulher? Por shows de capoeira brasileira. Mesmo que não queria, uma hora ou outra, você estará em frente ao Moulin Rouge, símbolo máximo da pátria, como a marselhesa. Anoiteceu, vá embora.
 
HOTEL LUTETIA : FIM DE TARDE #400
 
O Hotel Lutetia em St-Germain foge dos predicados da moda e aposta na controvérsia da arte. Totalmente restaurado o conceito é unir localização, arte, serviço e gastronomia. De forma fixa ali se encontra uma exposição contaste de fotográfos renomados e inúmeras suítes temáticas finamente decoradas. É uma sugestão enquanto se busca estilo às sombras parisienses.
Jean-Luc Jean, concierge iconíco poderá auxilia-lo em seus próximos passos, que poderá ser apenas um descanso em seu aposento com estrondosa visão a Torre Eiffel,  alguns dos mimos do Spa do Hotel senão o restaurante local. Insistindo em sair novamente, poderá também guia-lo para uma das melhores mesas da cidade. Que após um martini no quarto, insisto de fato em fazer, foram me dadas as seguintes opções, tidas como melhores de Paris.
 
Les Jules Verne: É só o restaurante chique da Torre Eiffel. Simplesmente inacreditável. Reserve antes.
 
Alcazar: Bar da moda. Vale a visita.
 
Le Café du Commerce: Atmosfera autêntica parisiense a preços ok, relax e gente bacana.
 
La perle: Bar mais cool / hip e requisitado da cidade. Nas últimas semanas ficou infelizmente reconhecido como o lugar onde o john galliano foi filmado xingando judeus.jjjj .....f
 
3 estrelas Michelin: Jean-Luc Jean conhece-os todos de cor, mas não é a minha praia. Este noite quero bailar. Deixarei Lucas Cartoon ou Tour D'argent para outra oportunidade.  
 
BALADAS DE PARIS : MADRUGADA 00 
 
Depois do Jantar/Vinho a energia desbota, mas o verniz desta hora não é dormir;  Destilado e musica vão retornar o brilho. A noite derradeira da cidade demandava um excelsior de explosões em uma imersão na club culture gaulesa. Queria me tonar um selvagem. Passei pelo consagrado Vip Room, que já não mantem sua pompa, nem ao menos circunstância e fui diretamente para o Le Cab, onde grandes histórias aconteceram, mas pouco restou `a memória. Um tombo na bicicleta a caminho de um after-partie em Marrais, onde ali sim, dizem que as emoções afloram, me fez também encurtar esta jornada.
 
Dicas quentes:
 
Nas redondezas de Marais, pero da rue de Reamnur encontra-se o Social Club, algo como uma D-Edge em proporções parisienses. Uma das boates mais famosas da cidade e onde toca os maiores nomes da cena Synth e eletrônica do mundo. O público é bem alternativo, já que em Marais 90% das boates são GLS. 
 
Uma passada em Chez Moune, um epicentro da vida noturna de Pigalle, para conferir as festas vips temáticas pode acrescentar ao teor experimental da noite. Caso prefira a eletronic music, é melhor considar uma parada no Chez Regine, clássica desde os anos 70, e que apesar de reestruturado com uma decoração moderna by "30's", ainda é possivel notar traços do passado. Le Bains também é uma ótima opção para desfilar entre os super-stars, ou aspirantes, mas para garantir que sua entrada não seja barrada esteja na moda, trés-chic. Se a preferência for homessexual, vá ao local ás segundas-feiras.
 
E para o fin-de-nuit em Paris, não deixe de ir ao Le Batofar. Sente-se em uma barcada transformada, que flutua sobre o rio Siena, ao som de house, garage e jazz, e tome no mínimo mais uma cerveja (a garrafa vai custar cerca de 8 dólares).

Le Batofar : O fim de noite em Paris.

Esta é a Paris de Lugares no Mundo. Cheia de luzes, sombras que recordam uma fogueira de aforismos.

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Fotos: Divulgação

Última atualização em 13/06/2013 as 15h08

Náthalie Sikorski

esportes, praia, noite

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