O Mundo em 4 Rodas

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Descubra como desbravar o mundo em uma Land Rover

Muitas pessoas têm o sonho de viajar o mundo, explorar os quatro cantos da Terra, conhecer novas culturas. O casal Grace Downey e Robert Ager conseguiu colocar o sonho em prática. Deixaram tudo para trás, trabalho, casa, amigos, para viverem o todo, o mundo. Se inserir em um novo cotidiano e fazer de um Land Rover o seu lar. Conheça a história deles com o Lugares no Mundo.

GRACE DOWNEY E ROBERT AGER
 
Ela brasileira, ele inglês. Ambos com o mesmo sonho desde pequenos: Viajar e conhecer o mundo. Ele veio ao Brasil a trabalho, como professor de educação física. Ela trabalhava na mesma escola, também como professora de educação física. Conclusão: Se conheceram, se apaixonaram, e compartilharam do mesmo sonho, juntos, em uma Land Rover pelo mundo. "Sempre colocavamos isso como um sonho. Ja estavamos juntos a um tempo, e viviamos planejando essa viagem para o futuro. Durante um feriado em 2001, em uma viagem para os Lençois Maranhenses - aliás um dos nossos lugares preferidos no Brasil -  decidimos que iriamos realmente fazer essa viagem. Iriamos vender tudo, pedir demissão, e dar tchau à família. Marcamos nossa viagem para janeiro de 2002, e foram seis meses de muita loucura, organizando a viagem, vendendo tudo, casa, carro, juntando o dinheiro para pedir demissão do emprego e sair para a aventura." dis Grace. Eles conseguiram juntar uma quantidade suficiente para um ano da viagem que duraria três anos e meio.
 
UMA AVENTURA PELO MUNDO
Eles partiram de São Paulo para passar por 50 países e para isso eles transformaram sua Land Rover Defender 110 em uma casa. Adaptaram uma cozinha, colocaram gavetas para guardar suas roupas e equipamento de camping, a parte exterior do teto foi adaptada para alojar a barraca e outra séries de acessórios transformaram o Baloo, nome dado ao carro inspirado no personagem de Mogli, no principal elemento da viagem de Grace e Robert.  
 
Lugares no Mundo: Por que vocês escolheram acampar? E como planejaram o roteiro da viagem?
 
- Sempre fomos apaixonados pela natureza, então não havia dúvidas que acampar era a melhor opção. Era uma forma de apreciar plenamente as paisagens.Traçamos o roteiro de forma à fugir do Inverno em cada país, já que não é uma boa época para estradas e para o camping. Partimos de São Paulo para o Paraguai, Argentina, Chile, Bolivia, Peru, Equador, América Central, Estados Unidos, Alaska, Canadá, Costa Leste americana, Flórida até se separar de Baloo que foi enviado em um container para a Inglaterra, onde ficamos por 7 meses para trabalhar, juntar dinheiro e seguir a viagem. De lá partimos para a Europa, fomos até a Escandinávia e saindo da Espanha seguimos para a África, um continente que se mostrou surpreendente mesmo com as grandes expectativas que já tínhamos.
 
AV: Como vocês planejam o tempo que ficariam em cada lugar?
 
- Não havia um plano exato e nós não seguíamos um roteiro fixo. Se não nos empolgássemos muito com o local, ficávamos por menos tempo e quando nos encantávamos, ficávamos mais. A coisa mais próxima de um timing foi o clima para definir nossas estadias. Para acender o fogareiro e fazer a comida era necessário sair do carro, então em temperaturas muito frias isso atrapalhava bastante. Qualquer atividade que não fosse dormir era prejudicada com a neve. A pior temperatura que pegamos foi no Canadá, de -10°C. A comida demorava muito para ficar pronta e esfria muito rápido.
 
AV: Vocês tiveram problemas com o idioma em algum lugar?
 
 - Na verdade não porque quase todos falam inglês. Juntos conseguíamos arriscar um pouco de francês, alemão, espanhol e claro, o português. A maior dificuldade foi na Polônia onde quase ninguém falava inglês, e nós não arriscávamos o polonês. Mas em compensação o povo foi muito simpático e solícito, então não houve maiores dificuldades. 
 
AV: Qual foi o pior momento da viagem?
 
- Os momentos bons superaram de longe os ruins. Mas passamos por algumas situações desagradáveis, por exemplo em Mali, na África. Nós vivemos três semanas bem difíceis onde gastamos muita energia para nos explicar em francês a todo momento, para todo mundo. Éramos turistas viajando pelo mundo, sem dinheiro para ficar pagando propinas para atravessar a fronteira ou preços abusivos na hora de comprar comida. Para eles o perfil de “turista explorador”, de gringo era um sinônimo de riqueza, o que não era verdade no nosso caso. Mas essas tentativas de tirar vantagem existem em todo lugar. Os viajantes experientes ganham prática em lidar com essas situações. Outra dificuldade que tivemos foi na Tanzânia, quando fizemos um passeio junto com outros turistas e no final o guia queria cobrar um preço maior do que aquele que foi combinado. Todos se revoltaram e ele ameaçou nos deixar literalmente no meio do mato se não pagássemos o valor. Ele começou a tirar as malas dos passageiros da Kombi, mas nós no caso não tínhamos levado nenhuma mala. Depois que alguns turistas desceram ele ameaçou não deixar a gente ir embora e nos levar para outro lugar, a Grace saiu pela janela do carro, eu (Robert) passei as nossas mochilas para ela, mas com todos vendo a cena, ele acabou desistindo da idéia. Após muita discussão a história acabou bem e quando surgiu a polícia turística, o guia negou que havia cobrado um valor diferente. A questão não era o valor em si, a diferença não era tanta, mas sim o princípio, porque se aceitarmos essas coisas, outros tursitas também irão sofrer esse abuso. Esses países não estão acostumados com o turismo, por isso é mais provável que essas situações aconteçam por lá, ou talvez seja azar nosso. E existiram também situações ruins com a mudança do roteiro. Queríamos por exemplo passar pelo Sudão, mas bem naquela época estourou uma guerra lá e tivemos que desviar.
 
AV: Conte uma experiência marcante para vocês.
 
- A Índia foi uma experiência impressionante. Tudo ligado ao país é muito único e a cultura, o cheiro, a gastronomia, as cores, o povo, impressionam qualquer um que vem de fora. O trânsito é absurdo, com carros, motos, elefantes, vacas, camelos, mas ainda assim vale a pena só para poder observar a paisagem. Para ganharmos resistência nós optamos sempre por provar a comida local, preparada em barraquinhas de rua mesmo, e beber a água de torneira, que era a que as pessoas do país bebiam. Ao chegarmos a um restaurante o garçom automaticamente trazia agua mineral, pois via que se tratava de turistas, mas para o povo era servida água de torneira, que vinha em uma jarra. Nós pedíamos para ele levar a garrafa plástica embora e trazer a jarra, queríamos viver a total imersão na cultura do país. Não passamos mal, o que é muito importante quando se está acampando. 
 
AV: Qual foi o povo mais receptivo que vocês conheceram?
 
- Fizemos muitos amigos durante a viagem e constatamos que existem muito mais pessoas boas do que ruins, mundo afora. No Alaska conhecemos um sujeito que após algumas horas de conversa entregou a chave da casa dele para nós, para que ficássemos à vontade. Já na índia, onde passamos quatro meses, pudemos viver bem o dia-a-dia em uma cultura diferente. E na família do dono da casa em que ficamos houve um casamento - maravilhoso presenciar uma cerimônia assim. Os indianos são bem diferentes, muito simpáticos e muito curiosos. Você acaba de conhecer alguém e ele já quer saber tudo sobre você, seu nome, sua profissão, onde você mora, quanto você ganha, onde você comprou tal coisa, se você quer vender, etc. Mas tudo bem intencionado. Teve um caso engraçado de um indiano que chegou perto do nosso carro e pediu para a gente mostrar como vivíamos, as adaptações que fizemos, tudo. No dia seguinte ele voltou com metade do vilarejo dele e começou a mostrar nossas coisas para eles, como se fosse um guia turístico. Ele ja sabia de tudo sobre nós, e ficava orgulhoso por isso. Foi bem engraçado.
 
AV: Teve algum lugar que vocês gostariam de ter ido e não visitaram?
 
- Alguns destinos que não pudemos conhecer foi o extremo oriente, pois as leis para levar um carro de fora são um pouco complicadas. E os planos antes de retornar ao Brasil eram ir para a Nova Zelândia e rodar pela Patagônia, mas o dinheiro já estava chegando ao fim então teríamos que trabalhar. Como Grace não conseguiu o visto para isso, apenas o de turista, válido por três meses, viajamos apenas para a Austrália e depois retornamos à América do Sul.
 
BRASIL POR TERRA
 
Quando voltaram ao Brasil, eles sabiam que teriam que começar tudo do zero, para reconquistar as coisas que haviam vendido em prol da viagem. Quando conseguiram, os dois começaram a trabalhar em sua nova empreitada, mais um ano morando no carro, dessa vez tendo as paisagens brasileiras como cenário. Mais uma vez, partiram de São Paulo rumo ao sul do país para depois conhecer a parte mais selvagem do Brasil, o Pantanal, atravessaram o país até o litoral passando pelo nordeste brasileiro chegando até a Amazônia, retornando depois ao ponto de partida. 
 
Poucos brasileiros sabem o valor turístico que seu país tem, e não raro é possível ver famílias viajando para Miami antes mesmo de conhecer o próprio Brasil. Esse desinteresse, por assim dizer, faz com que pontos de turismo tradicionais sejam bastante explorados e muitos lugares belíssimos e desconhecidos não recebem a atenção que merecem. É lógico que é necessário passar pelos lugares tradicionais como Fernando de Noronha, Bonito, Foz do Iguaçu, mas poucos consideram uma viagem para conhecer os parques nacionais da Roraima, por exemplo, que são roteiros muito bonitos de conhecer. Os Lençóis Maranhenses possuem as únicas dunas do mundo que tem lagoas no meio, as Chapadas Diamantina e dos Veadeiros são fantásticas para quem gosta da natureza e o pantanal é o melhor safári brasileiro. Enfim, há muito para se explorar por aqui. Existem problemas ainda na consciência de muitos brasileiros por um turismo sustentável e valorizado. Nos Estados Unidos existem grandes estruturas em parques nacionais para camping que disponibilizam seu espaço e banheiros coletivos de graça, todos bem arrumados perfeitos para usar. No Brasil os que estão em funcionamento ou são pagos já que não há incentivo do governo ou não oferecem infraestrutura nenhuma para os usuários. Mas o Brasil está crescendo e se desenvolvendo. Com o tempo esse panorama irá melhorar.” Diz Grace.
 
COMPARTILHANDO A EXPERIÊNCIA
 
O casal reside novamente no Brasil e dedica seu tempo participando de feiras, dando palestras e realizando exposições de seus trabalhos, um enorme arquivo fotográfico. Suas viagens renderam um livro sobre a volta ao mundo chamado "Challenging Your Dreams - Uma Aventura pelo Mundo" e mais dois estão em fase de produção, um sobre as viagens pelo Brasil e o outro seguindo um conceito mais artístico, com a compilação das melhores fotos do nosso país. Para conhecer um pouco mais sobre esses aventureiros conheça o site do Challenging Your Dreams e acesse a página deles no Facebook.
 
DICAS
 
Grace e Robert decidiram que viajariam pelo mundo e simplesmente arregaçaram as mangas e foram. Os problemas e implicações que isso teria foram deixados para depois, o importante era seguir firme com a viagem. Essa é a principal dica que eles têm a oferecer: Vá atrás do seu sonho e lute para ele se realizar, seja ela qual for. A história de que adultos precisam ser realistas, que não devem sonhar é besteira. Seja qual for o seu sonho, realize, sem parar para pensar nas dificuldades ou adiá-lo.  Nas próprias palavras do casal:
 
“Você sempre vai querer planejar melhor. Nunca haverá dinheiro suficiente e o momento ideal não existe. Portanto, encontre a coragem, tome uma decisão, prepare o quanto puder e vá adaptando o resto pelo caminho. Será a melhor época de sua vida.
Boa sorte com suas aventuras e sigam sempre seus sonhos . . .”
 
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CRÉDITO DAS FOTOS: ROBERT AGER E GRACE DOWNEY

Créditos: O Mundo em 4 Rodas

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

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esportes, praia, noite

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