Guia de Fotografia

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Máquinas e dicas para a melhor foto

Nós do Lugares no Mundo, assim como vocês, sabemos o quão marcante é uma viagem. Toda a beleza vista em lugares novos, as experiências diferentes, as cenas curiosas encontradas pelo caminho, enfim momentos que ficarão registrados para sempre na memória. Mas melhor do que se lembrar de tudo o que passou, é ter uma lembrança física para poder admirar inúmeras vezes aquele lugar especial e poder mostrar para os amigos aquelas situações que contando, ninguém acreditar. A verdade é: “Pics or didn´t happen”. Confira agora esse especial de fotografia com tudo o que você precisa saber para ter as fotos mais incríveis, guardadas para sempre!

EQUIPAMENTO
 
Não tem jeito, apesar de câmeras compactas realizarem um bom trabalho, se você quiser tirar “A” foto do pôr-do-Sol, ou registrar rostos nítidos em uma pista de balada escura com um monte de luzes interferindo por todos os lados, você precisa de uma câmera que pode ser regulada manualmente.
 
Apesar de alguns modelos compactos oferecerem um bom controle manual, as câmeras reflex (DSLR - Digital Single Lens Reflex ou simplesmente reflex) são a melhor pedida para quem adora explorar recursos e criar efeitos diferentes para cada foto.  Quando descobrir as configurações personalizadas, o modo automático não será utilizado nunca mais! É lógico que em algumas situações a câmera compacta pode ser mais vantajosa, afinal pode atrapalhar levar um trambolho que não cabe no bolso em uma balada, sem contar que se perder ou a câmera for roubada, o prejuízo com a reflex é bem maior.
 
FALANDO COM QUEM ENTENDE
 
Entrevistamos a fotógrafa Natália Tonda e o engenheiro apaixonado por fotografia, André Castellan, para saber suas preferência e dicas na hora de fotografar. Exceto a Lomo abaixo, todas as fotos são deles.
 
Lugares no Mundo: Qual o seu tema favorito na hora de fotografar em uma viagem e por que?
 
NATÁLIA TONDA: Gosto de fotografar as coisas que não encontro na minha cidade (São Paulo). Coisas que acho engraçadas ou que gosto muito. A última viagem que fiz, foi à Buenos Aires, e fiz uma série de fotos de velhinhos e algumas coisas bem estranhas, como um suposto “crânio de alienígena”.
ANDRÉ CASTELLAN: Vale qualquer coisa que eu ainda não tenha mirado a lente, desde alguém fritando acarajé até um macaco batendo uma carteira (isso já foi registrado, é verdade!), de uma joaninha a uma estátua, de um céu estrelado com a cidade ao fundo a um córrego a céu aberto...Vale tudo.
 
AV: Qual o seu equipamento preferido?
 
NT: Uma Pentax K1000, o “fusquinha” das câmeras analógicas. Gosto dela porque é uma câmera que não te deixa na mão, mesmo sem bateria você consegue fotografar, é só entender do fotômetro. Sempre a levo comigo.
AC: Sony Alpha 580. É o preferido porque é o que eu tenho à minha disposição.
 
AV: Qual a sua dica para fotografia em lugares com muita luz, por exemplo em praias?
 
NT: É importante ficar de olho no Sol do meio dia, que deixa as sombras muito duras e as pessoas/lugares ficam muito marcados, o que muitas vezes pode ser bem ingrato.
AC: Para os que dispõem de uma câmera reflex, além dos recursos automaticamente inclusos de modelos compactos, é possível contar com a utilização de um filtro polarizador. O meu é o RFNDF58, e através do ângulo de rotação do filtro, é possível controlar a quantidade de luz que entra na câmera, proporcionando cores mais fortes, mais profundidade de campo e eliminando reflexos indesejados. Para os que possuem uma câmera menos equipada, é possível controlar o exposure bracketing e deixar a foto com uma cara muito melhor do que a do modo automático. Para a câmera quase sem recursos, por incrível que pareça, vale a pena usar flash dependendo da situação, pois elimina as sombras causadas pelo Sol.
 
AV: Quais as dicas para fotos com muito movimento?
 
NT: Vai da intenção da pessoa que está fotografando. Muitos gostam de deixar o obturador bem fechado e o movimento fica "congelado". Acho bacana deixar o obturador mais aberto, e disparar o flash para congelar certa parte do movimento, mas não toda.
AC: Para evitar fotos borradas, precisa-se de muita iluminação ou um flash potente ou um ISO alto para compensar a falta de um ou de ambos. O ponto é congelar o objeto, então o tempo de exposição deve ser sempre baixo, independentemente do resto. Tipos diferentes de movimento exigem tempos diferentes de exposição - geralmente câmeras reflex boas chegam a 1/4000s (0,00025 segundo), mas câmeras mais avançadas conseguem instantes muito mais breves do que esse.
 
AV: E quando o lugar estiver muito escuro, como em uma balada?
 
NT: Tem que tomar cuidado com o flash, pois a tendência é o mau uso dele, deixando tudo branco. Ou o mau uso do ISO, quando deixam muito grão aparecer. Uma boa dica é a mesma que a anterior, obturador aberto por um tempo maior, diafragma mais fechado e o flash estourando.
AC: Depende do tipo de efeito desejado. Pessoalmente, gosto de deixar em 1 segundo de exposição e com flash, sendo que logo após o disparo do flash agito a câmera na direção das luzes, então dá para perceber claramente que se trata de uma festa ou algo do tipo. Caso queira eliminar esse efeito, basta diminuir o tempo de exposição. Câmeras muito boas conseguem um tempo de exposição baixíssimo com ISO muito alto e quase sem ruído, então é possível obter efeitos muito bons sem utilizar o flash e destruir o jogo de cores da foto.
 
AV: Quais as funções básicas da câmera que todo fotógrafo viajante precisa saber?
 
NT: Se você procura fazer boas fotos, ter controle da sua maquina é necessário. Encontrar nela o obturador e o diafragma, e fazer bom uso deles. São os controles principais de uma câmera. Um dos grandes problemas da fotografia digital é o ISO, que muitas vezes por ser deixado no modo automático, sua boa foto, pode virar uma foto muito granulada.
AC: Se a câmera não oferecer modo manual, nem adianta ler essa parte. Caso ofereça, é necessário saber como controlar três características básicas:
 
- Tempo de exposição: Para fotos de paisagens noturnas, ou para capturar o traço de um avião no céu ou dos carros na rodovia, é necessário um alto tempo de exposição. Normalmente esse tempo máximo varia de 8 a 30 segundos na maioria das câmeras, mas algumas oferecem o modo bulb, no qual enquanto o botão é pressionado, o obturador fica aberto. Para imagens diurnas, esse valor é bem menor, para que a imagem possa ser nítida e sem manchas de movimento.
 
- ISO: É a sensibilidade do sensor à luz. Quanto maior o ISO, mais clara sai a foto sem que o tempo de exposição seja alterado. Porém, quanto maior a sensibilidade à luz, maior a sensibilidade à ruídos. O ISO utilizável de cada câmera varia. Algumas fotos já apresentam deterioração a ponto de inutilizar a foto com ISO 200 ou 400, outras registram fotos fantásticas mesmo marcando 25.600. 
 
- Unir tempo de exposição e ISO: Essa parte geralmente não é fácil para quem está começando, mas existem várias situações em que isto é útil. Existem museus que não permitem a utilização de flash e são ambientes relativamente escuros, e uma foto com tempo de exposição baixa não dá conta de registrar a imagem. Seria preciso segurar a câmera de modo absolutamente imóvel por dois segundos para que a foto pudesse ser tirada, por exemplo, mas aumentando a sensibilidade do sensor pode-se diminuir drasticamente esse tempo, tornando possível então a fotografia nítida em ambientes com pouca luz e sem utilização de flash.
 
AV: Como tirar fotos de monumentos grandes e distantes?
 
NT: É interessante brincar com a composição, inventar um enquadramento diferente do comum, porque foto de monumentos, todo mundo tem igual! Mas para fazer uma clássica, certa distância é sempre necessária. Tem que tomar cuidado com as lentes grande-angular porque acabam distorcendo mais ainda a Torre de Pisa por exemplo.
AC: Hoje em dia existem câmeras compactas com zoom óptico altíssimo (de 12 a 36x), o que facilita a vida de quem quer uma foto da Estátua da Liberdade estando a quilômetros de distância. O zoom digital geralmente utilizado na propaganda de câmeras ultracompactas degrada a imagem e é praticamente inútil, pois a qualidade cai vertiginosamente com sua utilização.
 
AV: Quais as principais diferenças entre uma câmera compacta e uma reflex?
 
NT: As câmeras compactas têm seus programas automáticos, e algumas vezes, seus controles manuais deixam a desejar.  O bom de uma câmera reflex é o controle que você tem do equipamento, as opções de lentes objetivas que você pode trocar e a qualidade da imagem.
AC: Primeiramente, os sensores CCD ou CMOS das câmeras compactas são cerca de 25 vezes menores do que os de uma reflex, o que produz fotos com muito mais ruído. As reflex possuem lentes intercambiáveis e portanto proporcionam enorme versatilidade, opção inexistente em câmeras compactas. Algumas poucas câmeras compactas suportam flash externo, ao passo que todas as reflex o fazem, assim como controle remoto e outros periféricos. Todo o resto diz respeito ao controle como um todo sobre a câmera, geralmente todos superiores em uma reflex.
 
AV: E comparando as câmeras de filme com as digitais? (Natália fotografa apenas com câmeras de filme)
 
NT: A diferença que ja esta sendo arrumada, sempre foi da qualidade da imagem. A película fotográfica não tem um grão tão agressivo quanto o digital. O grão do filme muitas vezes agrega beleza, diferente do grão digital que deixa muito feio. Outra coisa sem comparação, é a quantidade de foto produzida e não utilizada, já que quando o filme estava em alta, as pessoas se preocupavam com a foto, pensavam antes de clicar, porque além de ter um filme com poucas poses, ele custava uma grana para ser revelado. Hoje em dia as pessoas fazem várias fotos, com o mesmo enquadramento, só pra se garantirem, e acabam criando um volume gigante de imagem digital. Hoje em dia, câmeras de celular vem ganhando um grande mercado. O próprio iPhone criou uma "nova linguagem velha", com o aplicativo do Instagram, as pessoas fotografam e colocam um filtro que deixa a foto com uma aparência de filme, com contraste, textura e até é possivel colocar tilt-shift, que seleciona o foco. Quebra um galho pra muita gente, mas claro, não substitui o prazer de fotografar com uma câmera de filme.
 
AV: Para os iniciantes, você poderia explicar alguma técnica artística simples?
 
NT: Light painting é a brincadeira mais bacana, precisa deixar a câmera parada, pois a exposição do obturador será bem longa, de 30 segundos pra cima. O diafragma precisa estar bem fechado, em 20f pra cima. Precisa de um objeto luminoso, uma lanterna com uma saída de luz pequena, um daqueles lasers, ou até mesmo um isqueiro. É só programar a câmera e desenhar com esses pontos de luz. É bom fazer em um lugar escuro ou com pouca luz. Já para fazer fotos super expostas, o procedimento é o mesmo, câmera parada, obturador bem aberto, diafragma bem fechado, e um movimento acontecendo. É bacana tentar pegar um céu estrelado, pois pega o movimento das estrelas no céu.
 
QUAL CÂMERA COMPRAR?
 
Ao procurar o equipamento mil informações estão à disposição, mas para quem não é do meio é difícil saber quais as vantagens e desvantagens de cada modelo. Perguntamos para os especialistas e agora você poderá conferir as dicas de André e Natália.
 
Termos Técnicos Indispensáveis:
 
 
Vale lembrar alguns termos e ter esse minidicionário em mãos quando for conferir as características da câmera que você quer comprar
 
- O obturador define quanto tempo a película ou sensor ficarão expostos à luz, então quando mais fechado, mais “congelada” estará a imagem e quanto mais aberto, mais luz e maior chance de fotos borradas. Já para quem for medir pelo fotômetro, de 30 até 1500, ou mais, a imagem sairá nítida, enquanto que de 30 para 1/60, 1/80 a foto sairá borrada se a câmera não estiver totalmente parada, então requer um tripé.
 
- O modo Bulb permite decidir por quanto tempo a luz irá entrar, o resultado pode variar e traz de volta a sensação da foto ser revelada (mesmo que a espera seja de 30 segundos apenas).
 
- As medidas do modo macro servem para fotografar objetos muito pequenos e próximos, quanto menor, melhor no caso de você ser um entomólogo fotógrafo.
 
- A abertura, que costuma ser informada simplesmente como abertura, diz respeito à objetiva, ou seja, a lente que passeia de uma grande angular até uma tele-objetiva.
 
- É importante não se deixar levar pela quantidade de pixels porque muitas vezes, eles prometem 20 megapixels, mas no caso de cybershots, o sensor da câmera é muito pequeno, então acaba sendo um monte de pixels acumulados e mal usados. Cria um arquivo pesado e sem utilidade.
 
Modelos:
 
- Canon G12: Compacta, controles manuais simples e pequena.
 
- Canon Powershot SX30IS: Compacta, lente clara e bom zoom digital.
 
- Nikon Coolpix L120: Compacta, bom zoom digital, pequena e leve.
 
- Sony Alpha Nex: Pequena, controles manuais e lentes intercambiáveis.
 
- Canon Rebel XT3ii: Reflex, leve, controles manuais, lentes intercambiáveis, ótima resolução.
 
- Panasonic Lumix DMC-TZ20: Compacta com superzoom.
 
- Sony Cyber-shot HX9V: Também com superzoom, ideal para fotografar bem e com pouco trabalho a maioria das situações.
 
- Canon Rebel T2i: Melhor DSLR para entrar no mundo profissional.
 
- Canon EOS 5D Mark II: Para quem gosta de vídeos. É tão boa na função que foi utilizada para filmar um episódio da série House, e em cenas de filme onde se vê o ponto de vista de um avião ou carro, geralmente é a uma Mark II fixada no objeto em movimento. Apesar de não ser o modelo mais novo da série, sua capacidade para filmes e lendária.
 
- Panasonic Lumix DMC-TS3: Para aguentar o tranco de aventureiros até mesmo debaixo da água.
 
- Nikon FM10 (Analógica): Manual, 35mm.
 
- Pentax k1000 (Análogica): Totalmente manual, fotômetro preciso, 35mm.
 
Vale a pena citar:
 
- Lomo: As simpáticas e coloridas câmeras surgidas em plena guerra fria na URSS, viraram objeto de culto e criaram um novo conceito de foto, a lomografia. As câmeras são capazes de registrar cor e movimento sem flash, apesar de ser possível comprar o acessório à parte. Suas embalagens parecem ser de um brinquedo e é possível tirar fotos muito estilosas, como por exemplo, com a câmera lomográfica LC-A, a olho de peixe, que tira fotos com uma moldura circular. Não é recomendada para levar em viagens porque muitas vezes não é confiável. Se entrar luz você perde o filme todo
 
- Leica: Se considerarmos a fotografia como paixão principal do renomado Henri Cartier-Bresson, podemos colocar as câmeras Leica como sendo a segunda paixão. São muitos anos de tecnologia e precisão alemã em câmeras feitas manualmente. São umas das poucas co permissão para serem usadas dentro alguns tribunais, pois são extremamente silenciosas, tanto é que o obturador é feito de pano. Se quiser ter uma ideia do valor do brinquedo, em maio de 2011 uma câmara Leica de 1923, foi leiloada por US$ 1,9 milhões, tornando-se uma das máquinas mais caras da história.
  
Não incluímos os preços das câmeras porque eles variam muito de loja para loja, de antigos donos no caso de câmeras mais antigas e principalmente em relação à outros países.
 
Se quiser ver outros trabalhos de Natália, acesse seu tumblr e seu carbonmade
 
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CRÉDITO DAS FOTOS: ANDRÉ CASTELLAN (1, 3 e 4) E NATÁLIA TONDA (2)

Créditos: Guia de Fotografia

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

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