Enfim Mexicano

Mostrar / Esconder thumbs

Idiossincrasias e Tequila

Uma vez passada em Paris, me lembro dos capoeiristas de Marais celebrando a destruição do pensamento de Mestre Bimba.  Novamente em Paris, bolivianos provam-nos que a Zarzuela do Peru é algo a se vender pelo chapéu, jamais pelo itunes ou cloud, contrariando o Zeitgeist. Sempre estão enchendo o saco. Cultura é a breguice do terror, telúrica, tem os seus porquês sociais, geográficos, antropológicos, e tals. Se você coloca ketchup na pizza, pare por aqui. Se você quiser entender a idiossincrasia mexicana, siga abaixo, porque meu caro navegante, o Lugares no Mundo revela, conta, mais uma pra você.

MEXICANO: CULTURA DE EXPORTAÇÃO

Tomate, milho e tabaco. Cavalo, Deus único e roda. Um oceano de distância. Quando Cortez desembarcou nas areias mexicanas, tido como Quetzalcoat, de antemão seu prélio já estava ganho. Como combater o background tecnológico de 3 continentes (Europa, Asia e Africa) em uma América isolada? Sem tecnologia, sem armas, sem imunologia. Conjuntivite e pólvora versos sacrifícios da cura e arco e flecha. E 530 anos depois o México sobrevive. Resistência e persistência. Único país do dito terceiro mundo a fazer fronteira com um do primeiro. Como conviver com as adversidades desta sobrecarga de derrotas? Identidade cultural, afirmação, e nisso os mexicanos são invencíveis. Como a napolitana, esta é uma cultura de exportação e por conseqüência refém de adaptações a lá tex mex que destorcem o original de fábrica. Segue abaixo a hot experience com muito sal e limão, mas de maneira diferente do que você está acostumado.

A EXPERIÊNCIA: UMA NOITE NA CIDADE DO MÉXICO

A noite começa em um dos mais bacanudos botecos da cidade do México, chamados de cantina, estamos em amigos baladeiros no El Tenampa, meio autêntico, meio posh. Você jamais verá um mexicano bebendo tequila como no filme Pork's, aquele papo de sal na mão e limão na boca é coisa de yankee, aqui a tradição é levada a sério, a verdadeira forma de ser apreciar o símbolo nacional é chamada “bandeira”. Três copos de shot: Suco de limão, tequila branca, e o terceiro de sangrita (suco de tomate, pimenta e outras coisas), sempre bebericando um pouco de cada. Como o nome diz e a disposição corrobora, estamos aqui bebendo as cores da bandeira mexicana. Este ato é feito onde estamos, acompanhado de uma deliciosa refeição entre tacos duros, tostadas, uma portentosa "botana", que é como se chamam os petiscos no México. O destaque se dá ao "duro" torresmo gigante devorado ao banho de limão de “crocância” sonora. Vale ressaltar que em grande parte das cantinas o belisco é grátis, só se cobra o líquido que belisca o fígado.

Como a turma é de homens fortes e sem sombreiros, mais uma idéia digna dos berimbais, finalizamos as três cores líquidas e vamos a uma paloma, drink tão presente quanto a nossa caipirinha e deverás 100 vezes mais pop que a tal da margarita, inventada talvez lá por south beach. Tequila, suco de limão, sal e soda de tangerina. O gosto não e lá essas coisas, mas não julgo. En México, haja como mexicanos. O jantar está acabando e a noite apenas começando. Alguém confidencia que os mexicanos "chics", sempre entre o jantar esquenta e o club, tomam um "carajillo". Peça um expresso duplo, um copo com gelo e uma dose de 43, aquele licor “abaunilhado”, e sempre a mesa. Misture tudo. Beba. Dá aquele pique.

No carro, naquele que é tido como o pior trânsito do mundo, a informação não para de chegar. O motorista, com razão, coloca que alí está o povo mais hospitaleiro do mundo, e não a toa, o turismo é a terceira indústria do México, as casas estão sempre abertas para visitas e raros aqueles que não compartilham uma bandeira com estranhos e forasteiros. Astecas, espanhóis e misturados, o coração étnico do país está sempre de braços abertos.

Chegamos a balada, o mashup é sempre o mesmo, irrevogavelmente em qualquer picape do país. Muito pop comercial a lá Rick Martin, Alejandro Sanz somado a hits tipo Black Eye Peas. Nesta noite estamos no clube Sens. Na balada, os caras e as minas pedem sempre Vodka Rick: Muito gelo, vodka, suco de dois limões e água com gás. Cítrico e delicado, sem aquele doce de bala soft do nojentético. A balada segue o jogo e depois da segunda vodka rick já não lembro de mais nada. Quando for ao México, não se esqueça: Isso aqui não é um parque temático do Zorro.

Gostou? Deixe seu comentário!

Crédito das fotos: Divulgação.


Créditos: David Alpuche

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

Lugares no

esportes, praia, noite

Avaliações

Dê a sua opinião.

1 votos

Galerias.

Confira esta seleção de matérias e destinos com imagens incríveis.

Ver todos