Diários de Bicicleta

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De São Paulo ao Atacama em muitas pedaladas

André Fantini é um daqueles aventureiros de nossos dias. Entre umas e outras, reveza o ofício de professor de física, onde, não raro, ministra suas aulas via YouTube aos afoitos alunos de cursinhos, com sua paixão invencível de pedalar, e muito. Da Europa, aonde efemeramente está no momento, planejando mais um rolê, o maluco nos concede esta entrevista sobre talvez uma de suas mais ousadas experências. Pasmem, ele foi de sua casa no paulistano bairro de VIla Mariana até o Chile, mais especificamente o deserto do Atacama. O André conta para o Adoro que conta mais esta para você.

Lugares no Mundo-  Por que bicicleta?
 
André gravando os vídeos do seu novo projeto
 
André Fatini- Não sei se é possível definir o dia em que a bicicleta começou a fazer parte da minha vida. Sempre gostei muito de praticar esportes e a bicicleta além de ser uma atividade muito saudável, é também um ótimo meio de transporte. Prática, econômica e prazerosa, ela se tornou meu principal meio de locomoção no dia-a-dia e cada vez mais foi ganhando espaço e me levando para lugares cada vez mais distantes, até que um dia eu resolvi fazer um passeio mais "atrevido". Como as férias para os professores do cursinho são bastante longas (dois meses), pensei em fazer uma viagem de bike que coubesse nesse período e ao mesmo tempo fosse desafiadora. Conversei com alguns amigos que já conheciam parte do roteiro, pesquisei alguns sites e guias de viagem e assim montei um esboço do que seria a minha primeira cicloviagem: São Paulo - Antofagasta (Limite com San Pedro de Atacama). Hoje eu reconheço quão despreparado eu estava! Não tinha nem sequer fogareiro, roupas e proteção para chuva e também não sabia como reparar uma bicicleta. Tudo isso eu fui aprendendo enquanto viajava, e muitas vezes esse despreparo me rendeu péssimas situações.
 
AV- Sair da Vila Mariana em São Paulo e chegar até o deserto do Atacama no Chile. Qual foi o melhor e o pior momento da viagem?
 
Deserto de Sal - Atacama
 
AF- Os piores momentos geralmente são criados por dificuldades climáticas e geográficas como calor, vento, chuva, subida, etc. Um dos momentos mais difíceis, sem dúvida foi a travessia da cordilheira dos Andes: ar rarefeito, bicicleta pesada, subida íngreme e cansaço acumulado tornaram a subida ainda mais dura. Em compensação, a sensação de ter alcançado o topo dessa cadeia montanhosa é sensacional! Outro grande desafio foi a travessia do deserto do Atacama, que é o deserto mais seco do mundo. Foram dezenas de horas pedalando sob um forte Sol, em uma estrada praticamente deserta, com muita sede e apenas água quente para beber. Já um dos melhores momentos foi o instante em que eu vi o Oceano Pacífico. Era fim de tarde, depois de um longo dia de pedal, o Sol estava se pondo no mar. Foi quando caiu a ficha de que eu tinha acabado de cruzar a América do Sul! E com certeza, outra ótima lembrança, foi o dia em que um senhor que morava num vilarejo minúsculo e simples me viu sem lugar para dormir e incapacitado de prosseguir devido ao cansaço. Ele me ofereceu comida e alojamento em sua casa junto a sua mulher e seus filhos. Na despedida ainda enfatizou que não aceitava nenhuma forma de pagamento e que a dívida estaria quitada quando eu ajudasse alguém que estivesse procurando por ajuda.
 
AV- Quanto tempo você pedalava por dia, como decidia a hora de parar e aonde dormir? O que comer quando você está viajando sozinho em um deserto?
 
Cordilheira dos Andes - Cuesta del Lipán
 
AF- Não há muitas regras em relação à quantidade de horas e/ou distância percorrida por dia. Isso varia bastante com as condições climáticas, geográficas e com a disposição do momento. Em alguns dias eu cheguei a pedalar mais de 10 horas (na travessia do deserto por exemplo), e outros dias eu pedalava poucas horas ou então não pedalava. Em média a distância percorrida por dia era de 100 km. É necessário saber ouvir e respeitar seu corpo, esse é o meu principal indicativo para saber onde vou parar e dormir. Nem sempre se tem conforto e estrutura de camping e albergues por perto, então as vezes a saída é fazer um camping selvagem. Já sobre o cardápio de uma cicloviagem: As comidas devem ser rápidas, práticas e nutritivas. Não há muitas variações, são basicamente 4 refeições por dia. No café da manhã, frutas, frutas desidratadas, aveia, pão, biscoito, geléia, no almoço, algum lanche (pão com frios) e enlatados em geral (atum, ervilha, milho, vagem). À tarde, pão, biscoitos, chocolates, barras de cereais e frutas. No jantar, macarrão, sopa, purê de batatas, soja, enlatados, arroz, mas cozinhar assim consome muito gás.
 
AV- Conte um pouco mais da sua viagem atual na Europa, como está sendo e de onde surgiu a ideia.
 
Patagônia - Argentina
 
AF- Algumas pessoas já fizeram uma grande cicloviagem pelo mundo, mas eu queria fazer algo diferente, inovador, que fosse produtivo, construtivo e que agregasse também outros valores. Daí nasceu a ideia: Nada mais justo e simples do que uma cicloviagem relacionada com a educação, já que sou formado nessa área e tenho um grande suporte e estrutura para juntar conhecimento e esporte. 
 
AV- Qual um sonho futuro ligado a viagens?
 
AF- Ainda é muito cedo para fazer outros planos, agora estou focado nesse projeto. Tenho bastante coisa pela frente já que essa é apenas a primeira etapa dos três anos de viagem. Nos próximos anos irei para a Ásia e Oceania, e por último da América do Norte até o Brasil. 
 
AV - O que alguém que quer fazer uma viagem como a sua precisa?
 
André e sua bicicleta
 
AF- Comece pedalando poucos quilômetros por dia e gradativamente vá progredindo. Sugestão de treino: Comece com 30 quilômetros, e depois de uma semana passe para 40 e assim por diante. Atenção que com a bicicleta "armada" com os equipamentos, a dificuldade é bem maior e o equilíbrio fica completamente alterado, então vá devagar. Planeje, pesquise e se informe! Consulte roteiros e dicas de quem já passou por isso. É essencial saber a manutenção básica da bicicleta (trocar câmaras, trocar raios, alinhar rodas, trocar cabos, regular freio e câmbio, limpar e lubrificar a corrente), ter noções de camping e culinária e se virar bem com línguas (se for o caso de uma cicloviagem no exterior). Equipamentos básicos: alforjes para a bicicleta, barraca, saco de dormir, isolante térmico, fogareiro, lanterna, kit de ferramentas, jogo de panelas e talheres, roupas para chuva e lanternas (de preferência uma head lamp). Basicamente é isso.  
 
Para saber um pouco mais sobre a Viagem de André, é só acompanhar o canal no YouTube, ou falar com ele pelo Facebook. O site dele está aqui.
 
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CRÉDITO DAS FOTOS: ANDRÉ FATINI

 

Créditos: Diários de Bicicleta

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

Thomas Iacocca

esportes, praia, noite

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