Choque cultural turístico europeu

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Como não ser um turistão e voltar pra casa reclamando da viagem

Até o início da Idade Média era prática comum de mercadores e embaixadores em terras estrangeiras adotarem costumes, e até mesmo adorarem deuses locais como uma forma de respeito aos seus anfitriões. Na medida em que fronteiras foram se fechando e tornando-se mais claras, junto com sistemas coloniais e imperialistas cada vez mais brandos, este comportamento foi, não esquecido, mas banido em nome do que hoje se chama de globalização – quando o termo mundialização seria mais correto.

Atualmente, fora dos círculos políticos, o que se vê é um aumento no número de brasileiros viajando para o exterior (cerca de 7% ao ano entre 2009 e 2013), bem como os gastos nos países de destino (US$21,8 bi nos dez primeiros meses de 2014, quase US$1 bi a mais que o mesmo período do ano anterior).

Ao mesmo tempo, virou senso comum reclamar da grosseria e falta de educação do europeu em relação a turistas. O que não passa de grande engano. A incivilidade está, na verdade no visitante, que esbarra em outros transeuntes e não pede desculpas, que acha que deve ser tratado como rei, que seus costumes pessoais se aplicam ao mundo inteiro, que pensa se fazer entender sem falar a língua local, enfim, a lista é enorme.

Em dois dos maiores destinos de brasileiros na Europa, Paris e Londres, também conhecidas como capitais da moda, o choque cultural começa já com uma agressão visual por parte do turista. Enquanto londrinos e parisienses têm uma abordagem mais sofisticada (botas sociais, camisa, casaco) sobre como se vestir mesmo casualmente e sempre combinando com a arquitetura do velho mundo, o visitante chega de tênis, moletom e bermuda florida.

É um ato simples, mas apenas em se disfarçar de local o turista já é tratado de maneira diferente. Quanto ao resto, noções básicas de bons costumes e um curso básico de francês, inglês, alemão, italiano, ou o que for (existem vários gratuitos espalhados na internet), já é suficiente.

A Europa é um continente velho e acostumado com estrangeiros. Não é que o europeu não gosta de turistas, apenas não gosta de falta de educação, inclusive entre seus conterrâneos. Não é necessário se tornar protestante ao visitar a Inglaterra, por exemplo. Mas se vestir de acordo, comer pratos típicos, pedir bebidas locais, enfim, estar aberto a uma verdadeira experiência europeia, não apenas fazer “selfies” em frente à Torre Eiffel, ao Coliseu ou à Abadia de Westminster.

 

Imagens: Guilherme Guinski

Última atualização em 27/11/2014 as 19h35

Guilherme Guinski

esportes, praia, noite

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