Cerveja com Alma

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Aperitivo para uma matéria inesquecível! Curso de Fabricação de Cerveja Artesanal.

Produza sua própria cerveja e torne-se um sexy symbol!

Ao chegar ao simpático bar Pier 1327, na Vila Mariana, com alguns minutos de atraso, uma dúvida pairava no ar: o que iria encontrar naquele curso de Mestre Cervejeiro para onde o Lugares no Mundo me enviara? Pensei que poderia encontrar um moderno Studio, um espécie de bureau da cevada, com um grande maquinário, tubos de ensaio, máquinas de moer cevada e um enólogo (argh!) da cerveja como professor. Para minha surpresa, a realidade era inteiramente diferente. Quando me vi, estava espiando a mais que respeitável carta de cervejas do bar, que contém os mais diversos rótulos e que, sem dúvida, inclui o barzinho entre os endereços obrigatórios de São Paulo.

Logo, o professor se apresentou. Sujeito simples, Jaime Pereira Filho é, antes de tudo um apaixonado. “Somos um mini-transatlântico atracado na Vila Mariana”, definiu o bar, que conta com motivos náuticos adornando as paredes, numa decoração simples, que remete a porões de grandes embarcações, fato que deve afugentar algumas mulheres, é verdade, mas talvez essa seja mesmo a intenção, para garantir a aura do navio.

Depois de algumas cervas, e uma porção de tira-gosto, estava na hora de iniciar os trabalhos. O Capitão nos convocou para uma área externa do bar, que era castigada pela chuva, mas logo percebemos que estávamos no Bier Garden, “um espaço 4x4: misto de jardim, sala de aula, mesa de bar e chão de fábrica”, novamente na definição de nosso mestre. E era isso mesmo. Um local calmo, para se isolar dos problemas, do mundo, pelas próximas 5 horas.

Éramos sete alunos. Todos com um perfil parecido e uma vontade de ir além de um simples apreciador. O curso começa com uma promessa que empolga: “Vocês vão sair daqui pensando cerveja, raciocinando cerveja!”.  Isso é fácil, pensei, mas então ele completou: “Quem produz a própria cerveja vira sexy symbol!”

Antes de tudo, revisamos o material:

- 20 litros de água

- 8 quilos de malte de cevada (pilsen)

- 3% de malte de cevada torrado

Tudo acontecia muito rápido e logo estávamos moendo os grãos. Uma gambiarrra adaptada permitia transformar um trabalho de mais de uma hora em algo de não mais de cinco minutos. Os grãos não podem ficar muito pequenos, nem muito grandes, é preciso dividi-lo em aproximadamente quatro partes.

Após isso, depositamos os 20 litros de água em um enorme caldeirão e adicionamos a cevada moída e depois aquecemos a uma temperatura que deveria manter-se em 65ºC. Ao passo que ela baixava, ligávamos novamente o fogo e medíamos com um termômetro. Esse processo tem o objetivo de diluir a cevada e transformar o amido em açúcar. É nesse momento que as enzimas são ativadas e que a água ganha a cor.

Esse processo dura uma hora. Nesse espaço, aproveitamos para uma viagem no tempo e espaço por 80 séculos de cerveja, onde visitamos os principais países fabricantes e onde conferimos referências de 200 cervejas que, se quiséssemos, poderiam ser fabricadas ali, naquele instante, por nosso pequeno grupo de heróis. Jaime impôs suas referências a nós, que degustamos com o maior prazer, pois ali falava alto 30 anos de história do Mestre Cervejeiro.

Preparamo-nos, então, para a filtragem com uma peneira de chapa e transferimos o líquido para outro recipiente, desprezando o os grãos. Misturamos tudo com uma enorme pá. Adicionamos o Lúpulo e uma rapadura, que aumentaria o teor alcoólico e conferiria um sabor especial ao produto final de nossa viagem (algo inédito e exclusivo para a reportagem do Lugares no Mundo). Era hora de ferver o líquido por mais uma hora. Dessa vez a 100ºC e voltamos à teoria.

Nesse momento, Jaime enfatizou a questão principal de nosso encontro: a alma. O malte alemão, o fermento belga e o lúpulo inglês, unidos pela nossa vontade de aprender, na realidade eram os responsáveis pela qualidade de nossa bebida. Ou seja, era preciso juntar os melhores ingredientes do mundo para ter êxito nessa empreitada. E a alma de nossa cerveja estava justamente no ingrediente essencial que era essa reunião de fatores objetivos e subjetivos.

Passada essa hora e reanimados pela intenção de fazer uma grande cerveja, passamos à fase seguinte: a decantação forçada. Para isso é preciso passar o líquido para uma outra panela através de um sifão e ela deve ser colocada em um balde cheio de gelo para baixar a temperatura forçadamente. A ideia é atingir 30ºC. Após obter o êxito, é hora de incluir o fermento, mas antes devemos completar com água até a borda. Para os nossos 30 litros, despejamos 11g de fermento.

Estamos quase acabando! Era hora de fechar o balde e esperar pela fermentação pelas próximas duas semanas. Antes, no entanto, medimos o teor alcoólico de nossa fabricação: surpreendentes 7%, fato inédito no curso do capitão Jaime e, sem dúvida, impulsionado pela rapadura, que fora incluída na receita pela primeira vez durante as aulas.

Agora, era o momento de ir pra casa, aguardar ansiosamente 14 dias para voltar e engarrafar a nossa cerveja exclusiva, melhor que qualquer industrializada do mercado, pois continha nossa alma.

Continua...

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A segunda parte está fermentando em nossos tonéis e assim que pronta para o consumo, ela entra no ar!

 

Créditos: Cerveja com alma

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

Lucas D.

esportes, praia, noite

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