Cachaças do Brasil

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O universo ardente destilado.

Talvez já tenha findado aquele tempo em que a branca era somente dos quais trançam as canelas pelas vielas. Foste ela, dos pobres varridos e outros convictos invictos dela. Vista sob os olhares do preconceito, dita cuja, que por seus preceitos, vai desfilar na passarela. Purinha como todas as vontades.

A cachaça feita da destilação e fermentação da cana de açúcar é a segunda bebida mais consumida no Brasil, perdendo somente para cerveja, e terceira mais consumida no mundo,depois da vodka e soju (bebida coreana).

Dos campos de trigo e aveia é extraída matéria prima necessária para produção da vodka. Das regiões onde há malte e trufa nasce o uísque. Dos cactos é feita a tequila.

Nós tínhamos a cana de açúcar. Tínhamos não, ela foi trazida da Ásia pelos portugueses e fez parte importante da história econômica, social e cultural do nosso país.

Inicialmente, a cachaça nasce sob a forma de vinho, até então chamado de garapa azeda, servida aos animais e aos escravos que na época não eram considerados muito diferentes um do outro. Os escravos bebiam a garapa azeda para dar mais força e energia no trabalho. Da fermentação e destilação dessa bebida, surge então a cachaça, primeiro destilado típico brasileiro.

Essa bebida acompanhou de perto a história do nosso país. Até serviu de moeda de troca para escravos africanos. Não demorou muito para que a bebida caísse nas graças de donos de destilarias e logo depois, com a descoberta do ouro na região fria da Serra do Espinhaço (MG), passou a ser ainda mais consumida pois amenizava as condições climáticas. O surgimento da cachaça desvalorizou o consumo das bebidas que vinham da Corte, como a bagaceira e o vinho do porto, esquentando a relação entre colônia e colonizador o que resultou na proibição de consumo e produção da bebida. Mas como ter controle sobre um produto que já estava por toda parte e que era lucro para os senhores de engenho, ora pois?

De proibida ela passou a ser símbolo de resistência contra o domínio português, enchendo os copos, dando mais coragem e bravura aos conspiradores. Ironicamente, foi essa bebida proibida que pagou a reconstrução da cidade de Lisboa depois do terremoto que destruiu a cidade em 1756 e que D.Pedro I brindou a Independência do Brasil em sete de setembro de 1822.

Pode- se dizer que a bebida foi literalmente do lixo ao luxo. Das senzalas para os restaurantes finos. A bebida que antes era consumida por camadas mais pobres devido ao seu baixo custo, hoje é encontrada nos quatro cantos do mundo. Em 2010 foram exportados 10,44 milhões de litros para mais de 60 países gerando uma receita de US$15,95 milhões. Só a Alemanha importa 1/3 da nossa cachaça e lá, é considerado fashion pedir a bebida. Se for visitar esse país e quiser matar saudades dos sabores brasileiros, peça por uma caipirinha ou Schnaps (cachaça em alemão).

Quebrando tabus e preconceitos, a cachaça é uma bebida refinada sim e deveria ser consumida com a mesma classe que os franceses bebem champanhe. Servidas em copinhos baixos e largos, deve ser tomada em goles curtos e espaçosos. Mesmo porque a bebida tem teor alcoólico que varia de 38 a 54%.

O termo cachaceiro deu lugar a um termo mais apropriado, cachacista e há poucos anos, surgiu o cachacier( especialista em cachaça).

CACHAÇA INDUSTRIAL E CACHAÇA ARTESANAL

A diferença entre as duas está no modo de produção. As cachaças artesanais, conhecidas também como cachaça de alambique, são produzidas em destilarias menores.

Diferente da cachaça industrial, que utiliza de cana de açúcar cortada por máquinas, após a queimada das folhas, a colheita da cachaça artesanal é feita a mão e tem as pontas descartadas. A diferença também está no processo de fermentação. A industrial fica no processo por seis horas e utilizam- se de calatisadores químicos que aceleram o processo. Já a fermentação da artesanal dura de 24 a 30 horas.

As cachaças de alambique ainda são divididas em duas categorias: Jovens e Envelhecidas. As jovens passam por um breve período de repouso, perfeitas para serem consumidas em coquetéis, caipirinhas ou em taças onde são servidas geladas. Já as envelhecidas  se assemelham muito ao processo de envelhecimento do vinho. Guardadas em barris de madeiras nobres, ela repousa durante cerca de um ano, enobrecendo suas propriedades e transformando em um destilado fino e nobre.

CACHAÇA ANÍSIO SANTIAGO

A cachaça Anísio Santiago antiga Havana, é  a mais cara do Brasil e considerada a melhor do mundo. Produzida em Salinas, norte de Minas Gerais desde 1940, é envelhecida em tonéis de madeira por oito anos e apenas sete mil garrafas de 600 ml são comercializadas anualmente.

De sabor picante livre de acidez, possui um agradável aroma de madeira que não faz lacrimejar os olhos. Tem 44,8 % de álcool e custa em média R$ 150 a R$250. Colecionadores chegam a pagar até mil reais pelas garrafas Havanas. E, acredite se quiser, recentemente, uma garrafa Havana de 1960 foi leiloada por R$ 15 mil em São Paulo.

BUSCA VIDA

Produzida na região de Bragança Paulista, essa cachaça possui raízes baianas. A bebida que leva o nome de uma praia paradisíaca na Bahia é misturada com limão e mel 100% natural. Nas areias do final do mundo na praia de Caraíva está a Cachaçaria Busca Vida, que serve drinks dos mais variados feitos com essa bebida. Peça pelo Buscaraíva, feita com gengibre, considerada a pancada divina, e aproveite as belezas naturais, o barulho da praia e o forró do lugar!

Essa cachaça de sabor suave, porém porreta tem teor alcoólico de 17,5 % o preço da garrafa com 750 ml da danada varia de R$ 35 a R$ 50 reais.

A BOA IDEIA 51

Produzida na região de Pirassununga e Recife, está no mercado desde 1959 e se enquadra na categoria de cachaças industriais. A destilaria produz 300 milhões de litros de pinga por ano e é a quinta bebida destilada mais consumida no mundo.

Pioneira em venda, justamente porque um porre de 51 sai barato, e com teor alcoólico de 45%, o preço médio da garrafa de 965 ml sai por R$ 6,00.

CACHAÇA LEBLON

Produzida em Patos de Minas(MG) já conquistou lugares como Nova York, Paris e Londres.

Feita artesanalmente, vende cerca de 450 mil garrafas por ano. Apenas 16% da cachaça fica no Brasil, o resto é espalhado na forma de sete milhões de caipirinhas no planeta.

O teor alcoólico é de 40 % e o preço médio da garrafa de 750 ml sai por R$ 55,90.

TURISMO CACHAÇEIRO

Acompanhando a velocidade dos que procuram por turismos gastronômicos, muitos turistas brasileiros e estrangeiros investem não só em conhecer o país, como também seus hábitos e culturas típicas da região.

Como a cachaça, bebida típica brasileira reconhecida no mundo todo faz parte da tradicional história do nosso país, muitas destilarias abrem suas portas para mostrar aos visitantes o processo de produção da água que passarinho não bebe.

A destilaria Maison Leblon, produtora da cachaça Leblon localizada em Patos de Minas (MG) oferece um tour gratuito de quatro horas onde os visitantes acompanham a fabricação da cachaça, desde o corte e a moagem da cana e o processo de fermentação e destilação, até o controle de qualidade, engarrafamento e descanso em barris de carvalho. Depois do passeio, como não poderia faltar, uma degustação de caipirinhas e caldo de cana moída pelos próprios visitantes.

O almoço (R$30,00) pode ser feito na própria destilaria, que serve um menu baseado na deliciosa culinária mineira. Se quiser se hospedar, a fazenda vizinha dispõe de quartos para até três pessoas. Cada quarto sai por R$120,00.

Mais informações no telefone (034) 3821-2161.

CIRCUITO MINEIRO DE VISITAÇÃO

Ainda no circuito mineiro alguns alambiques abertos a visitações:

Cachaça Germana
Endereço: Fazenda Vista Alegre, s/nº - Nova União/MG
Telefone(s): (31) 3426-1609 - (31) 8333-8052
Site: www.cachacagermana.com.br

Prazer De Minas
Endereço: Rodovia Esmeraldas a Betim, Km 69 Esmeraldas/MG
Telefone(s): (31) 9990-3390
Site: www.cachacaprazerdeminas.com.br

Vale Verde Parque Ecológico
Endereço: Rodovia MG050 Km 39 – Vianópolis – Betim/MG
Telefone(s): (31) 3079.9155 - (31) 3079-9198
Site: www.valeverde.com.br

PARATY

"Quer pelas suas terras, quer pelas suas águas ou lenhas", Paraty foi a mais importante região produtora de pinga na época do Brasil Colônia. Já teve mais de cem alambiques de cachaça, mas hoje a cidade conta apenas com sete, todos com qualidade comprovada por peritos em aguardente - como os membros da Academia Brasileira da Cachaça e da Confraria do Corpo Furado - ambas do Rio de janeiro. 

Durante o mês de agosto, a cidade realiza o Festival da Pinga que traz para cidade mais de 20 mil pessoas. Os sete alambiques da cidade ( Corisco, Coqueiro, Engenho D’Ouro, Mulatinha, Maré Cheia, Murycana e Maria Izabel) montam estandes pela cidade, oferecendo aos visitantes degustações de vários tipos de pinga, além de comidas típicas do local.

Esse ano o Festival acontecerá entre os dias 18 e 21 de agosto.

A Pousada Villa Del Sol dispões de 69 apartamentos divididos em quatro categorias. Durante o Festival, oferece diárias a partir de R$ 320,00 com café da manhã, um churrasco com bebida liberada, além de camiseta, caneca e squeeze do Festival.

O centro histórico de Paraty, com seus casarões antigos, possui inúmeros bares e lojas de cachaça. Inspirado nas tabernas de antigamente, em um ambiente despojado com referências náuticas, o Paraty 33 oferece boa culinária e música ao vivo. Na adega, vinhos, uísques e cachaças dos mais diferentes rótulos atende clientes de gosto exigente.

O Empório da Cachaça tem cachaças curtidas de tudo quanto é tipo. Até cachaça curtida na folha da maconha você encontra por lá, ótima opção para os apreciadores da erva.

Rua Doutor Manoel da Costa, 22- Centro Histórico. Telefone: (24) 3371-6329.

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Crédito da foto: (1),(2),(3),(4),(5) Divulgação


Créditos: A Cachaça Brasileira

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

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