Bolívia, Por Que Não?

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A assustadora e envolvente Bolívia

A maioria das pessoas que passa por ali, geralmente passa por acaso. Os turistas estão indo ou vindo de algum lugar, principalmente aqueles que rumam a Machu Picchu. Poucos escolhem a Bolívia como destino turístico. Não é fácil trocar o conforto de resorts, as compras em Nova Iorque, os castelos da França... por uma viagem pra Bolívia. A primeira coisa que se pensa do lugar é cocaína e bolivianos armados, sejamos relistas.  Mas viajar nem sempre precisa ser em busca dos lugares mais procurados do mundo, que todos vão. O Lugares no Mundo entrou na contra-mão e resolveu trocar os Jet Sets dos destinos por um roteiro pra lá de incomum. Conheça a Bolívia que nós adoramos por Lugares no Mundo!

CORUMBÁ, FRONTEIRA BRASIL - BOLÍVIA

A cidade de Corumbá, no coração do Pantanal, que faz fronteira com a cidade Porto Suárez na Bolívia, pouco aparenta ser uma das portas de entrada da cocaína no país. Contrária a imagem que todos fariam devido a essa fama, caminhar pelas ruas da cidade nos remete a uma tranqüilidade bucólica. Casas simples feitas em madeira, galinhas atravessando a rua – essas, juntas com cachorros, com patos, com gatos. População com traços indígenas, construções com influência art -noveau e neoclássico italiano.

Prepare-se para enfrentar o calor insuportável do lugar. No ano de 1989, a população foi proibida a sair de casa, pois os termômetros registraram a temperatura de 51°C.

A cidade é dividida em parte alta e parte baixa, essas duas ligadas por duas grandes ladeiras. É na parte alta que se concentra a maior parte do comércio, com suas lojas de moda, bijuterias, livrarias e bebidas. Na parte baixa, onde está o Porto Geral, há grande concentração das construções históricas, sendo um dos principais pontos turísticos da cidade. A Casa Vasques & Filhos, data de 1909, abriga o Museu do Homem Pantaneiro, que guarda uma forte história regional. O Centro de Convenções do Pantanal é um dos lugares que possui a incrível vista do rio Paraguai e caminhar por entre as palmeiras, os monumentos históricos de imigrantes e pescadores encanta mais ainda o pôr do sol pantaneiro.

No caminho pra Bolívia, o Parque Marina Gatass, possui a maior área de lazer do lugar, com seis hectares. Lugar considerado místico, com linda vista para a Baía do Tamengo, lago entre Puerto Suárez e Corumbá.

A fronteira da Bolívia é uma bagunça. Extremamente! Literalmente uma bagunça desorganizada! O taxi que nos levou do hotel até a fronteira parou em frente a uma casa de alvenaria. Pouco se pôde enxergar no primeiro instante devido à inóspita paisagem empoeirada do lugar. O cheiro de churrasco toma conta do ambiente. Taxis velhos desviam dos incontáveis buracos. Isso sem falar  dos cambistas de rua que parecem que vão roubar seu dinheiro na hora do câmbio e sair correndo. Dentro da tal casa de alvenaria, vulgo posto de imigração, três policiais sentados, cada um em sua mesa. Um ocupado em tirar sarro dos brasileiros que não falavam espanhol (por mais que você não fale espanhol, arrisque um portunhol pelo menos, pra eles é um absurdo você estar na Bolívia e falar português), o segundo policial se ocupava em chamar as brasileiras de guapa e o outro male má conferindo passaportes e certificado de vacinação. Para entrar na Bolívia é preciso apresentar o certificado de vacina contra a febre amarela, que deve ser tomada dez dias antes. Caso contrário, ou você retorna pra Corumbá e espera completar os dez dias, ou oferece propina pra passar.

Passaporte carimbado, finalmente fora da casa de alvenaria, mais dois passos e pronto. Eis a Bolívia, tão empoeirada quanto antes.

A corrida de taxi até a estação ferroviária de Puerto Quijaro pra pegar o Trem da Morte dura cerca de cinco minutos e vale à pena combinar o preço da corrida com o motorista antes. A cidade em si, parece um velho oeste e não tem muito o que fazer. Se tiver que esperar algumas horas pra embarcar no Trem da Morte, vá caminhando até a Zona Franca Central de Aguirre, shopping com lojas de produtos eletrônicos, roupas, comidas, bebidas.

TREM DA MORTE

A estação de onde parte o trem da morte é uma cena típica boliviana. As chollas com suas roupas e sacolas coloridas que sorriam sem vergonha nenhuma, mesmo com a falta que os dentes faziam na boca e os poucos que restavam, de cor esverdeada devido à folha de coca. Ambulantes passam vendendo refrigerantes, frango, cigarros. Mochileiros do mundo inteiro, alguns sentados no chão jogando conversa fora, outros entretidos em algum jogo de baralho, outros dormindo em cima de suas mochilas.

Há muitas teorias sobre o nome Trem da Morte. Reza a lenda, que muitos trabalhadores morreram na construção da ferrovia por causa da malária, outros acreditam que o Trem foi utilizado para transporte das vítimas da febre amarela, outros dizem que vira e mexe um vagão descarrilava e que alguns bolivianos viajavam no teto do trem, despencando as vezes lá de cima. Na década de 90, a cocaína produzida na Bolívia viajava no Trem da Morte até o Brasil e daqui, seguia pra Europa.

Existem várias categorias para viajar no Trem. Uma delas, com bancos de madeira e janelas sem vidro, onde os passageiros dividem o espaço com galinhas e cachorros é a mais barata. Prefira a categoria Super Pullmam, ela é um pouco mais cara, mas oferece mais conforto. O trem chacoalha bastante e a passagem entre os vagões é feita por rampas ao ar livre, articuladas. Dependendo do vagão que você está, a ida até o restaurante pode ser uma aventura. Só não maior do que a aventura de encarar a comida servida. No cardápio com uma única opção, o jeito é deliciar-se com uma quentinha com arroz, batata e frango. De aparência assustadora, mas gosto honesto!

A única parada que nosso trem fez, foi na estação da cidade de Roboré, no meio da noite. Enquanto lutávamos pra descer do trem com as chollas que subiam pra vender seus espetinhos de carne de porco e limonadas em baldes, policiais bolivianos armados até os dentes entravam nos vagões. Roboré parece ter sido abandonada. Nada de um lado, nada de outro, só poeira e chollas.

SANTA CRUZ DE LA SIERRA

A chegada à Santa Cruz de La Sierra é anunciada pelo alto falante e muito comemorada pelos passageiros: 17 horas de viagem. Saindo da estação ferroviária, não bastaram 20 passos pra correr atrás de um taxi.

A cena que mais define o primeiro impacto com Santa Cruz, é a de um futuro distante em que nada deu certo. Carros velhos que você não consegue definir se estão indo pra direita ou pra esquerda, ou se apenas estão parados, com suas buzinas roucas, disputando espaços com camelôs e ambulantes, barracas de comida que serviam, adivinhe: arroz, batata e frango. Parece que as marmitas desceram do trem junto com você. Estão por toda parte.

Já o centro de Santa Cruz é encantador. A Praça 24 de Setembro, com seus bares, restaurantes e pubs em volta é um passeio gostoso com forte movimento comercial e cultural. Os bolivianos passam as tardes jogando xadrez nas mesas e bancos e é ali que está a Basílica de San Lorenzo, construída em 1845 em estilo neoclássico. Caminhe pelas ruas paralelas, onde há lojas com produtos típicos, souveniers e tudo o que você pode imaginar.

Um excelente lugar para almoçar nos dias quentes, fica a oeste da cidade em um lugar chamado Cabanas do Piraí. Nas margens do Rio Piraí, dezenas de cabanas oferecem o melhor da culinária local. Nas proximidades da cidade de Santa Cruz de La Sierra, destacam-se os passeios para as praias fluviais do rio Yapacani, com suas areias brancas e para as Dunas O Palmar, lugar perfeito pra tomar sol e nadar nas águas do lugar. Se sobrar tempo, vá para Samaipata, lugar onde Che Guevara passou os últimos dias de sua vida, morreu em 1967, com  florestas, lagoas, cascatas e ruínas das civilizações pré incas.

A ESTRADA DA MORTE PARA LA PAZ

Para ir a cidade de La Paz é preciso atravessar a Estrada da Morte, considerada uma das mais perigosas do mundo. O trecho tem aproximadamente 550 quilômetros, mas a viagem dura cerca de 16 horas.

Estrada muito freqüentada por bikers, têm uma faixa que sobe e outra que desce, rodeada por precipícios. São aproximadamente 3600 metros de altitude e há um trecho em que o ônibus dá ré, em uma manobra pra lá de arriscada, pra continuar fazendo a curva. Na frente do ônibus, junto com o motorista, seu co-piloto de dez anos indicava com a mão, os movimentos feitos na direção: Pra direita, pra esquerda, freia.

Viajar de ônibus na Bolívia pode ser divertido dependendo do grau que seu bom humor consegue alcançar. Como se não bastasse o tormento de estar atravessando a Estrada da Morte, o interior do ônibus é um mundo a parte. A começar pelo adesivo grudado no vidro: Não cuspa! - Como os bolivianos mascam a folha de coca pra amenizar os efeitos da alta altitude, eles costumam sair cuspindo hora sim hora sim o resto que sobra da folha mastigada.

Crianças deitadas no chão, um vendedor de livros que discursava a cada hora sobre as teorias da física quântica, três pessoas sentadas em bancos para duas pessoas, chollas, sacolas coloridas das chollas e mochileiros. Não é de se duvidar se houver gente dormindo em redes nos bagageiros. Da janela, surge uma paisagem verde amarelada, um tanto sem cor. Longas planícies com grandes montanhas no fundo, construções de pau a pique na beira da estrada.

FINALMENTE LA PAZ, VIVOS!

La Paz, além de ser uma cidade alta, rodeada por montanhas que pertencem a Cordilheira dos Andes, encontra- se literalmente dentro de um buraco. Com o perdão da palavra, La Paz mais se parece com um favelão! Segundo a mitologia boliviana, La Paz foi formada quando a grande deusa Pachamama apoiou seu cotovelo na terra para tomar seu banho de sol. Do buraco, deixado por seu cotovelo, surgiu a capital da Bolívia. Um lugar de poucas cores e muita gente. 

Caminhar pelas estreitas ruas de pedras é um eterno sobe e desce adicionado a dificuldade de respirar por causa da altitude.

Há duas ladeiras principais na cidade: A Sagárnaga  onde se concentra grande parte das lojas de artesanato, restaurantes e hotéis e a Liñares, onde o misterioso e grotesco Mercado de Las Brujas está localizado. Lá, você encontrará produtos que trazem sorte, amores perdidos, saúde e proteção, além de miniaturas das deusas e deuses incas. O ítem mais diferente que vimos, foi o feto de lhama. A senhora com aparência de bruxa, explica orgulhosa que quando enterrados no quintal da casa, eles trazem sorte e proteção à casa e aos moradores.

A Praça Murillo, um dos principais locais da cidade, fica em frente a Catedral de Nossa Senhora de La Paz e do Palácio Legislativo. Turistas e população local se misturam com a imensa quantidade de pombos, atraídos pelas migalhas e comidas jogadas no chão. Ao redor da praça, bares e restaurantes são freqüentados por mochileiros do mundo inteiro, em qualquer época do ano. Ambulantes caminham por ali oferecendo de chocolates a aparelhos mp3.

Preste atenção às paredes dos prédios em volta da praça. Há inúmeros buracos de balas que guardam a história do dia em que o povo expulsou á tiros o ex- presidente Gonzalo Sanchés de Lozada.

Por mais que o corpo custe em se aclimatar com os efeitos da altitude, o melhor meio de transporte de La Paz é andar a pé. Vans, microônibus e taxis se apertam nas ruas estreitas das ladeiras, num eterno buzinar, não ligando nem um pouco para as sinalizações de pare ou das preferênciais. A preferencial é de quem estiver passando ou de quem chegar primeiro.

Um ótimo passeio pra apreciar a vista da cidade é o Mirador Killi Killi, passeio que também é válido ser feito a noite.

La Paz é capital da Bolívia e da informação errada. Ou eles fazem que te entendem e te mandam pra qualquer lugar, ou eles te convencem de que sabem onde é, mas na verdade não sabem. Por incrível que pareça, achar o Museu de La Coca foi quase uma missão impossível. Ninguém sabia onde era. A entrada do Museu é difícil de ser achada, pois fica entre várias lojinhas de artesanato. O Museu conta a história da coca, do hábito de mascar a folha e da trajetória da folha com efeitos medicinais à produção da cocaína.

O aeroporto mais alto do mundo está localizado em La Paz, assim como o Estádio Hernando Siles, há 3.637 metros do nível do mar, com capacidade para 42 mil pessoas.

COPACABANA BOLIVIANA

A viagem pra Copacabana boliviana dura cerca de três horas de ônibus. Metade do trajeto foi feito pelo motorista andando na contra mão ou no meio das duas faixas. Da paisagem de clima e solo secos, surge quase sem querer, o lago mais alto do mundo, a quatro mil metros de altitude, o gigante Titicaca. De um ponto do trajeto o ônibus estaciona numa espécie de balsa e faz a travessia do lago.

Copacabana, localizada a 3841 metros acima do nível do mar, é uma cidade charmosa nos moldes bolivianos. A história do local vem desde a época dos incas, onde diversos rituais de sacrifícios humanos eram oferecidos a deusa Pachamama, ao deus do Sol e a deusa da Lua.

Mochileiros do mundo inteiro caminham pelas ruas da cidade, que faz fronteira com o Peru. Ladeiras de paralelepípedo, portas minúsculas que revelam quitandas recheadas de guloseimas, garrafas coloridas de refrigerante penduradas, barracas de comidas, outras de artesanatos típicos. Há inúmeros mercados de rua, que vendem grãos, batatas e pipocas. Uma montanha de pipocas! Não se assuste com essa exorbitante quantidade, a Bolívia é grande produtor de milho.

A maior parte do comércio está localizado na Avenida 6 de Agosto, principal avenida da cidade. Caminhar pelas ruas de Copacabana é fácil, a cidade é pequena. A única dificuldade que você poderá encontrar é a falta que o ar parece fazer nos pulmões devido à altitude.

A Catedral Nossa Senhora de Copacabana, linda igreja no coração de Copacabana foi construída em 1550, tem altar todo de ouro e a fachada é pintada de branco. É bem ali na frente dessa catedral, que todos os sábados acontece uma cerimônia religiosa de benção aos automóveis, onde os donos enfeitam seus carros com arranjos de flores.

Para contemplar a cidade e o Titicaca do alto, deixe a preguiça de lado e suba o Monte Calvário. São 40 minutos de subida em uma ladeira pedregosa e íngreme pra você pagar todos os seus pecados. Ainda de quebra, no topo, alguns xamãs costumam dar bênçãos aos turistas que passam por ali. Faça o passeio no fim da tarde pra apreciar o pôr do sol no Titicaca.

Na “orla” de Copacabana, há pedalinhos para passeios no lago mais alto do mundo. É de lá também que os barcos levam os turistas para a Ilha do Sol, a ilha sagrada dos Incas, atualmente habitada pelos quéchuas que se dedicam ao artesanato. Uma trilha que corta a ilha de norte a sul com 11 quilômetros de extensão pode ser feita em três horas. No caminho, há o Museu Challapampa, com peças Incas encontradas na região, além de ruínas antigas. Uma boa opção é passar a noite nesse lugar.

A Bolívia é destino imperdível pra quem não tem preconceito de desvendar o mundo, independente de qual ele seja. De paisagens andinas, de tradições seculares, de população indígena. Nós Adoramos!

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Crédito das fotos: Divulgação.


Créditos: Bolívia, Por Que Não?

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

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