Ah o Pantanal...

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A Comunhão do Pantanal com o Pantaneiro

Considerada pela UNESCO Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera, o Pantanal em sua extensão de 250 mil Km² ocupa áreas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, norte do Paraguai e leste boliviano. Pouquíssimas pessoas se aventurariam em um lugar como esse. A ideia de cheiro e coisas do mato já faz uma seleção natural dos turistas na região. Para aqueles que não se familiarizam com nada disso, com certeza não é o seu lugar. Mas para os curiosos e amantes da natureza, o Pantanal é destino obrigatório e um dos pontos mais fascinantes da Terra. O tipo de viagem que o Pantanal oferece é a típica viagem pela experiência. Com esse objetivo, o Lugares no Mundo foi ver e viver a vida na maior planície alagável do mundo.

A EXPERIÊNCIA PANTANAL

Tudo parece arrancar estilos, hábitos e manias cosmopolitas dos que chegam ali. É, literalmente, uma viagem às nossas raízes, lá nos primórdios do nosso começo. Talvez isso seja um pouco de culpa do contato que temos com os pantaneiros. Eles são homens da terra, se alimentam do que plantam, extraem das plantas os remédios, cultivam centenas de anos de tradição desenvolvendo uma cultura própria. São preservadores e respeitadores da natureza. O pantaneiro e o Pantanal parecem viver uma singular harmonia entre si, bem diferente de nós, pessoas da cidade grande.

O dia começa cedo. Cedo até pro sol, que costuma aparecer quando o quebra torto já ta terminando. O café da manhã típico da região, confesso, é difícil para os que estão acostumados a pãozinho e pingado. Arroz carreteiro, mandioca, ovos fritos, pão caseiro, paçoca de carne, queijo fresco, bolo, fazem dessa refeição de guerra, uma importante arma na luta do dia a dia. Sentados no galpão da fazenda, peões, patrão e capataz fazem juntos o desjejum, ora jogando conversa fora, ora em silêncio.

Já nas águas do rio Paraguai, um dos muitos da região, é possível ver a quantidade inumerável de pássaros que tem por ali. O Pantanal é uma das maiores reservas de pássaros do mundo, que voam de um lado pro outro, num festival de cores, tamanhos e sons, que só é cortado pelo roncar do motor da nossa voadeira. Esse tipo de barco, um dos principais meios de transporte da região, é muito utilizado principalmente em épocas de cheia.

Tudo no Pantanal é regido pela força da água. Há quem diga que há milhões de anos atrás, a região pantaneira era -acredite- mar! A água divide regiões, demarca estações, isola a população e os bichos. É por causa do curso das águas, que a paisagem pantaneira nunca é a mesma. Com cores no tom de coca cola, as águas dos rios guardam um mundo de perigo submerso. Dificilmente você vai ver alguém se banhando nos rios mesmo nos dias de calor insuportável. Jacarés, piranhas e sucuris estão por toda parte.

São duas as épocas que caracterizam o clima do Pantanal.  Nas épocas de seca, de maio a outubro, quando as águas baixam e os rios voltam ao seu curso natural, é possível ver mais animais na região e as estradas estão em melhores condições.

Em épocas de chuva, de novembro a abril, as áreas baixas são inundadas. É também nesse período chuvoso, que o gado é transportado para áreas mais altas, nas tradicionais comitivas pantaneiras. É grande a dificuldade da travessia nas áreas alagadas, além disso, deixam ao boiadeiro o incomodo de roupa e traia molhadas. Mas muitos boiadeiros preferem fazer as comitivas em épocas de chuva, afirmando que a poeira e a probabilidade de ficar sem água durante o percurso em épocas de seca são mais assustadoras.

É comum ver ao longo dos rios, pescadores em silêncio com seus característicos chapéus de palha ou de couro; o pantaneiro é por natureza um homem acostumado com a solidão.

A pesca no Pantanal, atividade procurada por pescadores do mundo todo e é uma das principais atividades econômicas da região. Seja nas cidades do Sul ou do Norte, foi-se o tempo que pescaria era sinal de desconforto. Além dos hotéis que oferecem boas estruturas para a prática da atividade, o pescador pode optar por barcos- hotéis. Equipados com suítes confortáveis, ar condicionado, deck com churrasqueira e piscina, os turistas da pesca esportiva passam cinco dias navegando nos rios pantanenses e voltam com muita história de pescador pra contar. Anualmente, no mês de setembro na cidade de Cáceres, acontece o maior torneio de pesca de água doce do mundo, evento que fez com que o Pantanal entrasse no Guinness Book.  Vale á pena lembrar que durante a piracema, no qual cardumes nadam contra a correnteza para desovar nas cabeceiras dos rios, a pesca é proibida, mas o espetáculo desse ballet aquático é passeio obrigatório para turistas que estão na região durante esse período.

De volta a sede da fazenda, hora de caçar o almoço. Enquanto Maurício, o cozinheiro, dividia sua atenção entre uma panela e outra sob o fogão a lenha, nós do Adoro junto com mais cinco peões saímos a cavalo em direção aos bois que pastavam há alguns quilômetros de distância.

No trajeto, é nítida a concentração do pantaneiro quando ele adentra a mata, território e habitat de onças. Até os cavalos parecem ficar atentos a qualquer barulhinho, mexendo suas orelhas de lá pra cá. Chegado ao local de abate e escolhido o boi que serviria de almoço, entra em cena o capataz da fazenda com sua faca afiadíssima, dando o golpe certeiro no pescoço e outro mais perto da cabeça, com precisão de médico para acertar as artérias certas. Cortes precisos separam o couro dos filés, das picanhas, de tudo aquilo que vemos pendurado nos açougues. Almoço caçado, voltemos às panelas de Mauricio.

A culinária pantaneira sofreu no decorrer de muitos anos, influência gastronômica dos países vizinhos como Paraguai, Argentina e Bolívia, além de influências indígenas.  Peixes, caldo de piranha, costela de pacu, arroz carreteiro, churrasco pantaneiro, chipa, farofa de banana, furrundu, puchero, fazem da cozinha pantaneira uma verdadeira mistura na panela.

Não podemos esquecer do famoso e tradicional Tereré. A bebida de origem guarani, que mistura erva mate em água gelada, é ingerida diariamente pelos pantaneiros, presente nas rodas de conversas de famílias, peões e amigos. Foi numa dessas rodas regadas a tereré ao som de uma viola de sete cordas que a equipe presenciou o pôr do sol mais bonito. Não existe pôr do sol sem cor no Pantanal. Cores fortes pintam o céu de laranja, violeta, vermelho. Como se obedecessem ao toque de recolher dado pela natureza, um bando de pássaros de diversas cores forra as árvores, colorindo ainda mais a magia pantaneira.

 

Crédito das fotos: (1), (2), (3) Divulgação.

Créditos: Ah o Pantanal...

Última atualização em 02/04/2013 as 14h03

Náthalie Sikorski

esportes, praia, noite

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