A Salvador que não se vê

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Longe dos pontos turísticos famosos, conheça as belezas da Península de Itapagipe gastando pouco.

Faz um baita sol em Salvador praticamente o ano todo. Nas mais diversas partes da capital baiana, milhares de turistas sobem e descem pelas praias da cidade e entram em contato com um conjunto arquitetônico do período colonial, vivenciando parte da cultura miscigenada local. 

Texto e fotos por Humberto Saldanha

Segundo destino turístico mais procurado do país por estrangeiros, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, e um dos mais visitados pelos brasileiros, a cidade possui mais surpresas escondidas do que supõem as agências de turismo e para explorá-las não se precisa de muito, basta pouco menos de R$ 16.

Em Salvador há pontos turísticos já consolidados e conhecidos mundialmente, como o Pelourinho, o Mercado Modelo e as praias ao redor do Foral da Barra. São tantos lugares indicados pelos roteiros, mas ainda existem espaços pouco conhecidos pelos visitantes que vão à cidade. Alguns deles estão localizados na Península de Itapagipe, marcada pelas belezas naturais e arquitetônicas.De lá dá para ter uma vista privilegiada da Baía de Todos os Santos. “Esse é um dos lugares mais lindos que já vi”, afirma a administradora carioca Paloma Souza, 27, ao contemplar o pôr do sol em sua primeira viagem a Salvador.

Para conhecer as belezas da Península Itapagipana é só reservar um dia, usar roupas confortáveis, um tênis ou uma sandália de borracha, muito protetor solar, disposição pra andar e colocar a punho uma câmera fotográfica. Para ir até o local, Paloma foi de ônibus, cuja passagem custa R$ 2,30. Durante o percurso viu a paisagem se modificar. Os prédios e o grande contingente de pessoas perambulando pelo centro deram espaço a amontoados de casarões seculares. Como se chegasse a uma cidade pacata entrou em contato com uma atmosfera bucólica, que guardao velho costume da prosa de vizinhos no fim da tarde.

O sabor da Ribeira- O percurso da administradora carioca pela orla Itapagipana começa no bairro da Ribeira. O cenário, composto por coqueiros e árvores frondosas,é conhecido dos baianos principalmente graças às famosas sorveterias do local. A mais tradicional é a Sorveteria da Ribeira, fundada em 1931. Para a turista paulistana Raquel Novaes, 43, “os sabores encontrados no estabelecimento têm um toque especial graças às frutas encontradas apenas no nordeste”. A bola do sorvete custa R$ 4,00 e as mais pedidas pelos clientes são as de tapioca, coco verde e cajá.

Na Ribeira não se vê mais rodas de capoeira como um dia cantou Gilberto Gil em Domingo no Parque, canção de 1967. Ao invés disso, crianças pedalam com suas bicicletas pela orla, pessoas passeiam pelas calçadas apreciando as embarcações localizadas nos portos da região. “O mais interessante do bairro é a possibilidade de interagir e entrar em contato, de fato, com a população de Salvador, algo que não acontece em lugares como o Pelourinho, onde só há turistas”, analisa Paloma.

Devoção- Da Ribeira dá para ir andando até a Colina Sagrada, onde está localizado um dos maiores cartões postais de Itapagipe e um dos pontos turísticos mais famosos de Salvador, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. Durante todo o ano, turistas e baianos vão à catedral para conhecê-la e devotar a sua fé ao santo. Ao chegar ao local, Paloma compra as famosas fitinhas coloridas do Bonfim (25 por R$ 1,00) para levar de lembrança para familiares e amigos. A garota aproveita também para amarrar algumas delas na grade ao redor da igreja e em seu próprio punho, no qual dá três nós e faz três pedidos. Dizem que quando a fita partir naturalmente, os pedidos são atendidos pelo santo. Outro espaço para pedir por milagres é a Sala dos Ex-Votos.

(Foto: Crédito Secretária de Turismo de Salvador / Divulgação)

Durante o verão, na segunda quinta-feira depois do Dia de Reis,a Igreja é palco da tradicional Lavagem do Bonfim. Realizada desde 1754 e marcada pelo sincretismo religioso,a festa homenageia o santo católico e também presta homenagem a Oxalá, um dos orixás do candomblé. O evento consiste em uma procissão de oito quilômetros entre a Basílica da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, e a Colina Sagrada, reunindo cerca de 1 milhão de pessoas por ano. No percurso, centenas de baianas perfumam o trajeto com água de cheiro, enquanto os fiéis são animados pelo som de violas, que dão o ritmo da lavagem das escadarias e do adro da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim. “Não conheço a Lavagem, mas espero um dia poder participar”, fala Paloma.

Sentiu fome? Se durante a visita a Itapagipe o turista sentir fome, próximo ao bairro do Bonfim está a Pedra Furada, antigo nome da Rua Rio Negro, uma ladeira íngreme da Península, onde convivem diversas residências e alguns bares e restaurantes. Redutos de alguns poucos e bem-informados boêmios da cidade, basta a tarde cair na sexta-feira para os bares da rua começarem a receber os frequentadores. O diferencial dos estabelecimentos do local são as vistas privilegiadas para a Baía de Todos os Santos.           

De acordo com Virgilio Resch, dono do Recanto da Lua Cheia, maior e mais bem estruturado restaurante da área, o espaço é frequantado, geralmente, pelos soteropolitanos. “A maioria dos turistas que aparecem aqui veem por indicação de outras pessoas”, afirma. Entre as iguarias servidas no Lua Cheia, a mais pedida pelos clientes é a Moqueca de Camarão, mas existem outros aperitivos mais em conta, como o Caldo de Sururu (R$ 6,50), prato típico das praias baianas.

Na Pedra Furada, além do Recanto da Lua Cheia existem outros restaurantes, como o Panorâmico, o Bar & Restaurante da Marrom e o Big Muqueca. Os cardápios possuem pequenas variações. O negócio é ir e descobrir por si só em qual deles o freguês se identifica mais e sente-se à vontade.

Fim de tarde - Com fim de tarde se aproximando, a melhor pedida é um passeio pela praia de Boa Viagem, localizada no bairro homônimo e uma das mais limpas da Península Itapagipana, de acordo com o Instituto do Meio Ambiente (IMA). Pouco frequentada por turistas, muitos até desconhecem sua existência, o lugar é bastante tranquilo durante a semana e tem como público as pessoas que moram próximo ao local. Com águas claras e perfeitas para nadar, o mar apresenta poucas e fracas ondas, bem propício para a prática de esportes náuticos. “Essa praia é pouco agitada, não é suja, além de ter uma vista excelente”, diz Maria Silva, 42, promotora de vendas e moradora da região.

Pelas areias douradas da Praia de Boa Viagem, Paloma caminha com sua câmera fotográfica. De lá dá para avistar o Forte de Nossa Senhora do Monte Serrat, construção fundada em 1587, à época do Brasil Colônia. Administrado pela 6ª Região Militar do Exército Brasileiro, o espaço abriga o Museu da Armaria, expondo ao público diversas armas de fogo, entre eles alguns canhões. Paloma dispara vários flashes sobre boa parte do que vê. “Quero registrar tudo”, comenta a administradora.

Descendo o monte onde está situado o Forte, avista-se a Ponta do Humaitá. Opôr-do-sol transforma a localidade em cenário ideal para o encontro de casais apaixonados, como os estudantes Rafael Correa, 17, e Aline Dantas, 16. Entre beijos e abraços, eles revelam que o espaço é frequentado tanto por soteropolitanos, quanto por turistas, embora a população local seja a maioria. “A paisagem é bonita, tem segurança e boa iluminação”, relata Rafael.

Tentando encontrar o melhor ângulo para fotografar o Farol de Humaitám a Igreja e Mosteiro de Nossa Senhora do Monte Serrat e o Clube Náutico da Bahia,construções integrantes do espaço, Paloma avisa que caminhar com uma câmera fotográfica pela Península de Itapagipe é algo indispensável a qualquer turista disposto a guardar consigo belos registros visuais da região.

Ao fim do passeio, na saída da Ponta de Humaitá, a administradora encosta-se a uma barraquinha e compra uma água de coco no valor de R$ 2.  Ao mesmo tempo em que bebe a iguaria percebe que experimentou Salvador à fundo. “Só vindo até esses lugares para compreender a riqueza cultural e natural intrínseca à cidade e à população”, comenta. E para saboreá-la não se precisa de muito. Paloma, por exemplo, gastou apenas R$ 15,80. Basta ter disposição e vontade de querer se misturar e interagir com as pessoas da terra, um povo hospitaleiro e gentil.

 

Sorveteria da Ribeira

Praça Geeneral Osório, 87, Largo da Ribeira

Tel. 71 3316-5451

Salvador- Bahia

 

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim

Largo do Bomfim, 236

Tel. 71 3316-2196

Salvador- Bahia

 

Restaurante Recanto da Lua Cheia

Rua Rio Negro, 216, Monte Serrat   
Tel. 71 3315-1275

Salvador- Bahia


Bar e Restaurante Panorâmico

Rua Laranjeiras, 18, Monte Serrat    
Tel. 71 3322-2013

 

Bar & Restaurante da Marrom

Rua Pedra Furada 213, Monte Serrat

Tel. 71 3312-2173 

Salvador- Bahia

 

Big Muqueca

Rua Pedra Furada, 28, Monte Serrat
Tel. 71  0313-1979 

Salvador- Bahia

 

Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat

Rua Santa Rita Durão, S/N, Monte Serrat

Tel. 71 3320-1816

Salvador- Bahia

 

Praia de Boa Viagem

Boa Viagem

Tel 71 3176-4223 (Empresa Salvador Turismo – SALTUR)

Salvador- Bahia

 

Ponta do Humaitá

Ponta do Humaitá

Tel 71 3176-4223 (Empresa Salvador Turismo – SALTUR)

Salvador- Bahia

 

Créditos: A Salvador que não se vê

Última atualização em 13/10/2012 as 20h44

Felipe

esportes, praia, noite

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